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Como calcular a rotatividade de mão de obra e o custo

A taxa de rotatividade muda com o tamanho de equipe pelo qual você divide e não diz quem decidiu cada saída. O custo vem só das saídas que deixaram a vaga aberta, a um preço tirado da sua última reposição. Uma página de registro guarda os dois.

Publicado em Atualizado em 14 min
Neste artigo

Numa lavoura de café de exemplo, na região de Franca (SP), quatro dos oito trabalhadores fixos saíram em um ano. O produtor rural chutou R$ 5.000 por saída e anotou R$ 20.000. A última reposição, somada pelos holerites e pelas notas fiscais, custou R$ 7.500, então a conta real foi de R$ 30.000: R$ 10.000 que o chute deixou de fora. São valores de exemplo, não dados de uma fazenda real. Para saber quanto a rotatividade custa na sua fazenda, liste cada saída, calcule o custo da sua última reposição pelos seus próprios papéis e anote o tamanho de equipe pelo qual você divide.

A rotatividade tem dois resultados. A taxa de rotatividade é a parte da equipe que saiu no ano: as pessoas que saíram divididas pelo tamanho da equipe. O custo da rotatividade é o número de saídas que deixaram a vaga aberta vezes o que uma saída custa para você. A calculadora de rotatividade deste site faz as duas contas em um minuto. Três escolhas mudam as respostas: os meses que você conta, o tamanho de equipe pelo qual divide e o custo de uma saída. Um registro da rotatividade, uma página com essas escolhas, deixa você comparar os números do ano que vem com os deste.

No fim da safra a equipe volta ao tamanho de sempre, e poucas fazendas contam quantos entraram e saíram no meio do caminho. A folha de pagamento de dezembro fica parecida com a de janeiro. Cada saída que deixou a vaga aberta custou alguma coisa: os dias de serviço sem fazer e os meses que o novato levou para aprender.

Por qual tamanho de equipe dividir a taxa de rotatividade?

Por qualquer um de três, desde que você anote qual usou e repita o mesmo no ano seguinte. Dá para dividir pela equipe de um mês, pela média entre a contagem do início e a do fim do período, ou pela média das contagens de cada mês. Numa fazenda com turma de colheita, os três dão taxas muito diferentes.

Zaballa e colegas publicaram em 2021, numa revista revisada por pares, um método para analisar a rotatividade de pessoal. Para eles, a equipe média é a soma dos valores do início e do fim do período, dividida por dois. A calculadora pede essa média no item “Efetivo médio” (o número de pessoas da equipe). Outra fórmula deles soma a contagem do início de cada mês e divide pelo número de meses. O método foi escrito para qualquer empresa, não para fazenda, mas a conta é a mesma em qualquer folha de pagamento.

A lavoura de exemplo mantém oito pessoas o ano inteiro e contrata trinta e seis colhedores para uma colheita de quatro meses, então a equipe chega a quarenta e quatro no pico. Saíram quarenta pessoas no ano: os trinta e seis colhedores, no fim da colheita, e quatro dos oito trabalhadores fixos, que foram repostos. Todos os números desta lavoura são inventados para mostrar a conta.

Nada mudou na lavoura entre 500%, 200% e 91%. Mudou só o tamanho de equipe usado na divisão. Nenhum dos três é o certo. Duas taxas só se comparam quando dividem pelo mesmo tipo de número, então escreva ao lado do resultado qual você usou, com as datas, e use o mesmo no ano que vem.

Os meses que você conta pesam pelo mesmo motivo. Se você contar de janeiro a dezembro, uma turma contratada em novembro e dispensada em fevereiro aparece como entrada num ano e como saída no outro. Anote o primeiro e o último mês que contou, e conte os mesmos meses no ano que vem.

Figura: As mesmas quarenta saídas dão três taxas de rotatividade, conforme o tamanho de equipe pelo qual você divide
Uma lavoura, quarenta saídas, três taxas de rotatividadeDividindo 40 saídas por 8 pessoas, a média entre o início e o fim do ano, a taxa dá 500%. Dividindo por 20, a média das 12 contagens mensais, dá 200%. Dividindo por 44, o mês de pico, dá cerca de 91%.Quarenta saídas divididas por:Média início e fim: 8 pessoas500%Média das 12 contagens: 20 pessoas200%Mês de pico: 44 pessoascerca de 91%

Qual taxa de rotatividade responde à sua pergunta, e 200% é muito?

São três taxas, e cada uma responde a uma pergunta diferente. Zaballa e colegas dão uma fórmula para cada uma. A calculadora dá as duas primeiras, e a terceira você faz à mão.

A primeira, que na calculadora se chama taxa clássica, faz a média entre entradas e saídas e divide pela equipe. Os autores a usam para medir o índice de rotatividade no planejamento de recursos humanos: na fazenda, quando você planeja as contratações da próxima safra.

A segunda, a taxa de desligamentos, conta só as saídas. Os autores a usam para analisar as perdas de pessoas e suas causas, e com ela você vê quanto da equipe precisou repor.

A terceira conta só os pedidos de demissão, as saídas que partiram do trabalhador, e deixa de fora os contratos que você encerrou. Os autores a usam para estudar as saídas que vêm unicamente das atitudes e da conduta do pessoal. A calculadora não tem onde marcar quem decidiu cada saída, então não dá essa taxa.

Na lavoura de exemplo, a taxa de desligamentos é 200%, e com ela a fazenda parece perder gente o ano todo. Trinta e seis das quarenta saídas foram colhedores cujo contrato acabou na data escrita nele. Quatro foram trabalhadores fixos que pediram demissão. A taxa de pedidos de demissão, 4 ÷ 20, é 20%, e é esse o número que diz ao produtor rural se as pessoas estão indo embora por conta própria.

Para fazer a terceira taxa, acrescente uma coluna na lista de quem saiu e marque em cada linha se a pessoa pediu para sair ou se você encerrou o contrato. Conte só os pedidos de demissão e divida pelo mesmo tamanho de equipe.

Figura: As quarenta saídas da lavoura de exemplo, separadas por quem decidiu, e a taxa de cada grupo
Trinta e seis fins de contrato e quatro pedidos de demissãoDas 40 saídas da lavoura de exemplo, 36 foram colhedores com contrato encerrado e 4 foram trabalhadores fixos que pediram demissão. Dividindo as 40 por uma equipe de 20, a taxa de desligamentos dá 200%. Dividindo os 4 pedidos de demissão por 20, a taxa dá 20%.40 saídas no ano36 colhedores: contrato acabou na data4 trabalhadores fixos: pediram demissãoTaxa de desligamentos, 40 ÷ 20200%Taxa de pedidos de demissão, 4 ÷ 2020%

Nenhum número publicado diz se 200% é muito para uma fazenda. Um estudo com enfermeiros de um pronto-socorro de hospital no Brasil calculou a taxa mês a mês. Ele registra que não há consenso quanto a um índice aceitável e que alguns autores falam em cerca de 3%. É uma taxa mensal, de outro tipo de trabalho, e não se compara com uma taxa anual.

A taxa para comparar com a sua é a sua própria do ano passado, calculada nos mesmos meses e com o mesmo tamanho de equipe. A taxa dá preço à rotatividade e não mostra o que mudar. Para isso, um artigo à parte, sobre que número da equipe mostra o que mudar, sugere acompanhar há quanto tempo estavam na fazenda os que saíram.

Por que o mês da saída muda o quanto ela custa?

Porque quem entra leva meses para render o mesmo que quem saiu. Jiří Duda e uma colega, pesquisadores de administração da Universidade Mendel, em Brno, na República Tcheca, escreveram um estudo sobre o custo da rotatividade nas empresas em geral, e não em fazendas. Nele, o novato rende 25% do normal no primeiro mês, 50% no segundo e 75% no terceiro.

Na fazenda, a produção não vale o mesmo o ano todo. Um dos quatro pedidos de demissão da lavoura foi o do operador do pulverizador, que saiu no início de abril, três semanas antes da colheita. O substituto rende um quarto do normal no primeiro mês, e esse mês cai nas semanas em que o serviço não espera. Se ele tivesse saído logo depois da colheita, os mesmos meses de aprendizado cairiam numa época em que o serviço pode esperar.

Na folha de pagamento as duas saídas parecem iguais, e na taxa de rotatividade cada uma vale uma saída. A de abril pode custar muito mais.

O mesmo estudo conta a produção perdida enquanto o substituto aprende como parte importante do custo de uma saída, ao lado do custo de cobrir o serviço nesse tempo e do tempo do gerente. Essa parte não deixa nota fiscal, então anote você mesmo: o mês de cada saída, os dias que a vaga ficou aberta e quem cobriu o serviço.

Figura: O rendimento do novato nos três primeiros meses, comparado ao de um trabalhador experiente, no estudo de Duda e Žůrková
O novato só chega a 75% do rendimento normal no terceiro mêsO novato rende 25% do que rende um trabalhador experiente no primeiro mês, 50% no segundo e 75% no terceiro, então a vaga perde 75%, 50% e 25% da produção nesses meses.Rendimento do novato, experiente = 100%Primeiro mês25%Segundo mês50%Terceiro mês75%

De onde vem o custo de uma saída, e quais saídas entram na conta?

Dos seus próprios registros: os salários, as horas extras e as notas fiscais da sua última reposição. O custo que você usar é multiplicado por todas as saídas que você precificar, então um erro nele se repete em cada uma. O produtor rural da lavoura de exemplo chutou R$ 5.000. Os holerites e as notas fiscais da última reposição somaram R$ 7.500.

A lavoura coloca na conta os quatro pedidos de demissão e deixa de fora os trinta e seis colhedores. O contrato deles acabou na data escrita nele, e ninguém foi contratado para ocupar a vaga. Duda e Žůrková dizem que importa se a saída foi programada, porque uma saída fora do programado soma custos extras enquanto a vaga fica aberta sem substituto. Anote quais saídas você deixou fora da conta, e por quê.

A calculadora multiplica toda saída que você informa por um custo só. Use-a uma vez com todas as saídas, para a taxa, e outra vez só com as saídas da conta, para o custo. Para ver quais saídas uma decisão diferente poderia ter evitado, o artigo muitas faltas curtas ou poucas longas mostra como ler as faltas da equipe.

Sem nenhuma reposição registrada, o número publicado mais próximo está num relatório de Kate Bahn e uma colega para o Washington Center for Equitable Growth, centro de pesquisa econômica dos Estados Unidos. Ele reúne trinta e um estudos de caso de cargos em saúde, educação, hotelaria, finanças, comércio, transporte e indústria; a agropecuária não está entre eles. Repor um trabalhador custou em média 39,6% do salário anual do cargo, com mediana de 23,5%. Use a mediana: metade dos estudos achou um custo menor e metade um maior, e alguns cargos caros puxam a média para cima.

Os custos que entram numa reposição estão no artigo o que entra na conta de repor um trabalhador que saiu.

Figura: A conta dos quatro pedidos de demissão da lavoura de exemplo, pelo chute e pelos holerites e notas fiscais
O chute deixou de fora R$ 10.000 de uma conta de R$ 30.000A R$ 5.000 cada, chutados, os quatro pedidos de demissão custam R$ 20.000. A R$ 7.500 cada, pelos holerites e pelas notas fiscais, custam R$ 30.000. O chute deixou de fora R$ 10.000.Quatro pedidos de demissão, valores de exemploChute, 4 × R$ 5.000R$ 20.000Pelos holerites e notas, 4 × R$ 7.500R$ 30.000R$ 10.000 que o chute deixou de fora

O que escrever primeiro, e em quanto tempo?

Separe uma hora com a folha de pagamento do ano passado, a lista da equipe e os documentos da última reposição, antes de abrir a próxima temporada de contratação.

Figura: As seis linhas do registro da rotatividade, na ordem em que você as escreve
As seis linhas do registro da rotatividadeEscreva os meses e o tamanho de equipe. Liste quem saiu. Escolha a taxa e a pergunta. Some o custo da última reposição. Marque as saídas programadas e as evitáveis. Escreva uma mudança, quem responde por ela e a data de revisão.1. Escreva os meses e o tamanho de equipe2. Liste quem saiu, um por linha3. Escolha a taxa e a pergunta4. Some a última reposição5. Marque programadas e evitáveis6. Uma mudança, quem e quando

As linhas mais úteis do registro são as saídas que uma decisão diferente poderia ter evitado, cada uma com essa decisão ao lado. Com elas, a conversa com o gerente antes da próxima safra pode ser sobre se as pessoas saíram pelo salário, pela escala ou pelo tratamento, e não sobre se 200% é muito. Para os outros registros e decisões de quem administra uma fazenda, comece pela página de gestão de fazendas deste site; nos artigos sobre pessoas há mais sobre contratar, pagar e manter gente na equipe.

Ferramenta

A ferramenta faz a conta e deixa o juízo com você.

Você digita os seus números e o resultado atualiza sozinho. Nada do que você digita sai do seu aparelho.

Procedência

Deriva de
  1. Martins, Matos e Salum, Rotatividade dos trabalhadores de enfermagem em uma unidade de emergência adulto, Texto & Contexto Enfermagem 28:e20160069, 2019 (revisado por pares, acesso aberto, SciELO)
  2. Zaballa Gomariz, El Assafiri Ojeda, Medina Nogueira, Nogueira Rivera e Medina León, Procedimiento para el análisis de la rotación del personal, ACADEMO 8(1):29-41, 2021 (revisado por pares, acesso aberto)
  3. Duda e Žůrková, Costs of employee turnover, Acta Universitatis Agriculturae et Silviculturae Mendelianae Brunensis 61(7):2071-2075, 2013 (revisado por pares, acesso aberto)
  4. Bahn e Sánchez Cumming, Improving U.S. labor standards and the quality of jobs to reduce the costs of employee turnover to U.S. companies, Washington Center for Equitable Growth, dezembro de 2020 (não revisado por pares)
O que este artigo cobre
Que meses contar e por qual tamanho de equipe dividir, e por que anotar os dois; as três taxas de rotatividade, para que serve cada uma, e como fazer à mão a que a calculadora não dá; por que os 3% que às vezes circulam são uma taxa mensal, que não se compara com uma taxa anual da fazenda; por que a mesma saída custa mais ou menos conforme o mês em que acontece; quais saídas entram na conta e de onde tirar o custo de uma; e por que a mediana é o número a usar quando você não tem o custo de uma reposição sua.
O que ele não cobre
Por que as pessoas saem ou como mantê-las na equipe, que você começa a enxergar neste registro mas não resolve com ele. Não detalha cada custo de uma reposição, e não fixa uma taxa aceitável, porque não existe taxa universal e as publicadas foram medidas em outros tipos de trabalho e em outros períodos.
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Como citar este artigo

RURIVIA. Como calcular a rotatividade de mão de obra e o custo. [S. l.], 31 ago. 2026. Disponível em: https://rurivia.com/pt-br/biblioteca/pessoas/quanto-a-rotatividade-custa-na-fazenda/. Acesso em:


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