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Rotatividade na fazenda: acompanhe o tempo de casa

A taxa de rotatividade do ano esconde o que você pode mudar. As lesões caem mais sobre quem tem poucos meses de casa, então acompanhe há quanto tempo estavam na fazenda os que saem, faltam ou se machucam.

Publicado em Atualizado em 12 min
Neste artigo

O banco que financia o custeio em Passo Fundo (RS) pergunta quantos empregados saíram no ano passado, e você responde três de dez, uma rotatividade de 30%. A rotatividade é a parcela da equipe que saiu durante o ano. Um gerente de fazenda de leite em Wisconsin (EUA) estimou que cada saída custa no mínimo US$ 2.500 a 3.000, ou R$ 12.500 a 15.000 a R$ 5,00 por dólar. É a estimativa de um gerente, não uma média medida, mas três saídas no valor mínimo somam R$ 37.500 por ano. Acompanhe o tempo de casa: os meses que cada pessoa que saiu, faltou ou se machucou tinha na fazenda. No fim do ano, conte quantas tinham menos de seis meses e corrija a contratação e o primeiro mês onde essa contagem for maior.

Por que a taxa de rotatividade do ano diz tão pouco?

Porque uma pessoa a move, e o jeito de contar também. Numa equipe de oito empregados, uma saída dá rotatividade de um em oito, ou 12,5%. Uma fazenda com 80 empregados que perde dez marca os mesmos 12,5%, embora os dois casos tenham pouco em comum.

O jeito de contar mexe no número tanto quanto a equipe. Billikopf e González entrevistaram trabalhadores de fazendas de leite no Vale de San Joaquin, na Califórnia (EUA), e tiraram duas médias das mesmas entrevistas. Contar o emprego atual de cada trabalhador até o dia da entrevista deu 6,6 anos de tempo de casa. Contar só os empregos já encerrados, da contratação à saída, deu 3,5 anos. Cada jeito responde a uma pergunta diferente, então a taxa de outra fazenda pode não ter sido contada como você conta.

Figura: Tempo de casa médio de trabalhadores de fazendas de leite da Califórnia, dois jeitos de contar as mesmas entrevistas. Fonte: Billikopf e González, California Agriculture, 2012
As mesmas entrevistas deram duas médias, 6,6 e 3,5 anosTrabalhadores de fazendas de leite do Vale de San Joaquin, na Califórnia. Contando o emprego atual de cada trabalhador no dia da entrevista, o tempo de casa médio foi de 6,6 anos. Contando só os empregos já encerrados, da contratação à saída, foi de 3,5 anos.Tempo de casa médio, mesmas entrevistasEmpregos atuais, no dia da entrevista6,6 anosSó empregos encerrados3,5 anosAs mesmas pessoas, 3,1 anos de diferençaque vêm só do jeito de contar

A taxa ainda serve para uma coisa, que é responder à pergunta que o banco faz. Quanto custa uma saída é assunto de outro artigo. Não use a taxa para comparar sua fazenda com a de outro produtor rural.

Quanto tempo depois de começar as pessoas saem?

Boa parte sai logo. O DIEESE, que estuda o mercado de trabalho, contou os desligamentos de 2012 de empregados com carteira assinada, de todos os setores. Cerca de 45% vieram de contratos que duraram menos de seis meses, e 66,5% de contratos rompidos antes de completar o primeiro ano. Na agricultura, o tempo mediano dos vínculos que geraram seguro-desemprego ficou abaixo de um ano em 2011 e 2012.

São dados de empregos com carteira em todos os setores, e a agricultura aparece só no dado do seguro-desemprego. Sua própria ficha dá a contagem que decide para a sua fazenda. O que você pode mudar é a contratação e o primeiro mês, não o décimo segundo. O que entra nesse primeiro mês está na lista do primeiro dia, o conjunto curto do que um empregado novo precisa antes do primeiro dia de serviço.

Figura: Parcela dos desligamentos de 2012 vinda de contratos com menos de seis meses e com menos de um ano. Empregados com carteira, todos os setores. Fonte: DIEESE, 2014
45% dos desligamentos vieram de contratos com menos de seis mesesDesligamentos de empregados com carteira assinada em 2012, todos os setores. Cerca de 45% vieram de contratos que duraram menos de seis meses. Ao todo, 66,5% vieram de contratos rompidos antes de completar o primeiro ano.Desligamentos de 2012, por duração do contratoMenos de seis mesescerca de 45%Menos de um ano66,5%Empregados com carteira, todos os setores;a escala vai de 0 a 100% em 300 pontos

Os empregados mais novos se machucam mais?

As evidências apontam que sim. Breslin e Smith estudaram pedidos de indenização por lesão com afastamento em Ontário, no Canadá. Eles viram que trabalhadores no primeiro mês de serviço tinham mais de quatro vezes a chance de um pedido do que quem tinha mais de um ano no serviço. A taxa de pedidos também cai conforme o tempo de serviço cresce, em qualquer idade. Os dados cobrem todas as indústrias, não fazendas, então leia o valor como uma direção e não como um número para a sua porteira.

Uma equipe pequena não mostra isso sozinha. Fehlberg, Santos e Tomasi entrevistaram trabalhadores rurais de Pelotas (RS) em 1996. Dos 580 entrevistados, 63 (11%) sofreram pelo menos um acidente de trabalho em doze meses, e os autores supõem que o número esteja subestimado. Numa equipe de dez empregados, 11% dá pouco mais de um acidente por ano. Um ano sem acidente prova pouco, e um único acidente também. O que indica algo é o tempo de casa dos poucos que você registra.

Figura: Chance de pedido de indenização por lesão com afastamento no primeiro mês, contra quem passou de um ano no serviço. Ontário, todas as indústrias. Fonte: Breslin e Smith, 2006
No primeiro mês, o pedido tinha mais de quatro vezes a chancePedidos de indenização por lesão com afastamento em Ontário, todas as indústrias. Quem passou de um ano no serviço é a base. Quem estava no primeiro mês de serviço tinha mais de quatro vezes a chance de um pedido. A barra está desenhada em quatro vezes.Chance de um pedido com afastamentoMais de um ano no serviço1Primeiro mês no serviçomais de 4A barra está desenhada em exatamente 4;o estudo registra mais de 4

O que perguntar sobre cada pessoa que sai ou falta?

Pergunte a data de início, a função, os meses de casa, quem encerrou o vínculo e por quê. O porquê é o que a taxa nunca dá. Billikopf e González perguntaram a trabalhadores de fazendas de leite o motivo principal de cada emprego que deixaram. Remuneração e benefícios foram o motivo principal em 29% dos 222 empregos. Os outros 71% tiveram outros motivos principais, entre eles os problemas econômicos da fazenda de leite, família, escala e folga, moradia e transporte, e a relação com a gerência. Então “saiu pelo dinheiro” explica menos de um terço das saídas.

As faltas respondem a outra pergunta. Billikopf e González anotam que o período antes da saída pode vir com mais faltas, mas isso é uma possibilidade e não um sinal de alerta. León e Morales estudaram uma central de atendimento no Peru com 255 empregados. Eles viram que a falta sem atestado variou de modo independente da intenção de sair. Uma central de atendimento não é uma fazenda, então leia isso como um cuidado. Conte as faltas para achar onde a escala ou a tarefa desgasta as pessoas, não para adivinhar quem vai sair. Se preocupam mais as faltas longas e raras ou as curtas e frequentes é assunto de outro artigo.

Figura: Motivo principal dado para deixar um emprego em fazenda de leite, 222 empregos. Fonte: Billikopf e González, California Agriculture, 2012
Remuneração e benefícios foram o motivo principal em 29% das saídasDos 222 empregos em fazendas de leite que os trabalhadores deixaram, remuneração e benefícios foram o motivo principal em 29%. Os outros 71% tiveram outros motivos principais: problemas econômicos da fazenda de leite, família, escala e folga, moradia e transporte, relação com a gerência.Motivo principal da saída, 222 empregos29%Remuneraçãoe benefícios71%Outros motivos principais:problemas econômicos da fazendafamíliaescala e folgamoradia e transporterelação com a gerênciaPergunte o porquê, não só quantos

Como fica a ficha depois de um ano, e o que fazer com ela?

Ela tem uma linha para cada pessoa que saiu, faltou mais de um dia ou se machucou. No exemplo, uma fazenda de Passo Fundo (RS) com dez empregados escreveu cinco linhas em 2026. Os números são inventados para o exemplo.

A ficha da fazenda do exemplo, 2026
Mês Função O que aconteceu Início Meses de casa
Fevereiro Peão Saiu dezembro de 2025 2
Abril Tratorista Saiu janeiro de 2026 3
Junho Peão Se machucou, 4 dias afastado maio de 2026 1
Agosto Tratador Faltou 3 dias dezembro de 2023 32
Outubro Peão Saiu abril de 2024 30

Na taxa do ano você vê 30%. Na ficha você vê que duas das três saídas e o único acidente vieram nos três primeiros meses. É aí que você olha: quem indicou essas pessoas, o que elas ouviram no primeiro dia e ao lado de quem trabalharam. Olhe a contratação antes de olhar para qualquer pessoa.

Figura: Meses de casa de cada linha da ficha do exemplo. As barras laranja são as linhas com menos de seis meses
Três das cinco linhas do exemplo têm menos de seis meses de casaFazenda do exemplo, 2026. Fevereiro, saída, 2 meses. Abril, saída, 3 meses. Junho, acidente, 1 mês. Agosto, falta, 32 meses. Outubro, saída, 30 meses. Três das cinco linhas têm menos de seis meses de casa.Meses de casa, ficha do exemploseis mesesFevereiro, saiu2Abril, saiu3Junho, se machucou1Agosto, faltou 3 dias32Outubro, saiu303 de 5 linhas com menos de seis meses

A ficha leva cerca de uma hora para começar e dispensa programa.

O que entra na conta de repor um trabalhador, quando o padrão já aparece, é assunto de outro artigo. A ficha é mais uma parte da gestão da fazenda inteira, ao lado dos outros artigos sobre gestão de pessoas.

Procedência

Deriva de
  1. DIEESE, Rotatividade e políticas públicas para o mercado de trabalho, São Paulo, 2014
  2. Billikopf, G. e González, G., Turnover rates are decreasing in California dairies, California Agriculture, 2012
  3. Breslin, F. C. e Smith, P., Trial by fire: a multivariate examination of the relation between job tenure and work injuries, Occupational and Environmental Medicine, 2006
  4. Fehlberg, M. F., Santos, I. e Tomasi, E., Prevalência e fatores associados a acidentes de trabalho em zona rural, Revista de Saúde Pública, 2001
  5. León, F. R. e Morales, O., Effects of people-oriented leadership and subordinate employability on call center withdrawal behaviors, Journal of Work and Organizational Psychology, 2018
  6. Nantel, S. J. e Wagner, T., What's the value of being a good boss?, University of Wisconsin Extension, Farm Management
O que este artigo cobre
Acompanhar o tempo de casa de quem sai, falta muito ou se machuca, anotar ao lado de cada um o registro da fazenda de onde o número sai, e contar no fim do ano quantos tinham menos de seis meses, para ver onde o problema se concentra.
O que ele não cobre
Calcular a taxa de rotatividade ou quanto custa uma saída, cada um o seu artigo. Ler um padrão de faltas, também o seu. Fixar uma meta que algum número deva bater, o que seria prometer um resultado. E o que a lei trabalhista exige da fazenda a partir de certo número de empregados, pergunta para um advogado trabalhista.
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Como citar este artigo

RURIVIA. Rotatividade na fazenda: acompanhe o tempo de casa. [S. l.], 5 set. 2026. Disponível em: https://rurivia.com/pt-br/biblioteca/pessoas/quais-numeros-de-pessoas-voce-acompanha/. Acesso em:


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