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A orientação de segurança assinada basta na fazenda?

Com a assinatura você prova que a orientação foi dada. Para saber se o arco e o cinto estão no trator quando ele tomba, é preciso uma linha para cada máquina.

Publicado em Atualizado em 12 min
Neste artigo

Conte as orientações de segurança assinadas no seu arquivo e depois os tratores da fazenda que têm estrutura de proteção na capotagem (EPC), o arco ou a cabine sobre o assento do operador. Só o segundo número diz se o trabalhador volta para casa quando o trator tomba. Em capotamentos investigados em Nebraska (EUA), 40% de cerca de 250 pessoas em tratores sem EPC morreram, contra 2% (1 de 61) nos tratores com ela. Se o empregado se afasta, a lei atribui à empresa o salário dos 15 primeiros dias, que no piso paranaense de R$ 2.105,34 por mês são R$ 1.052,67, no mínimo. Mantenha uma ficha com uma linha por trabalhador e por atividade que registre a orientação, a proteção da máquina, a assinatura e a data, e comece esta semana pelos serviços com trator.

O que uma orientação assinada prova?

Orientação de segurança é a instrução que o trabalhador recebe antes de fazer um serviço. Com a orientação assinada, você prova que ela foi dada e recebida numa data. Não prova que o trabalhador está protegido enquanto o serviço corre.

O NIOSH, agência federal dos Estados Unidos para segurança no trabalho, ordena as medidas de proteção da mais para a menos eficaz: eliminação, substituição, controles de engenharia, controles administrativos e equipamento de proteção individual. Treinamento é um controle administrativo, ou seja, uma medida que depende de a pessoa agir certo toda vez. Os controles administrativos exigem esforço contínuo de trabalhadores e supervisores. Um controle de engenharia, como o arco de proteção fixo no trator, funciona sem que ninguém precise lembrar dele naquele dia.

No Brasil, a NR-31 também ordena as medidas de prevenção: primeiro eliminar o fator de risco, depois a proteção coletiva, depois as medidas administrativas ou de organização do trabalho e, por último, a proteção individual.

Figura: Os cinco níveis de proteção do NIOSH, da mais para a menos eficaz, e onde fica a orientação. Fonte: US CDC/NIOSH, Hierarchy of Controls
A orientação é um controle administrativo, o quarto de cinco níveisDa mais para a menos eficaz: eliminação, substituição, controles de engenharia, controles administrativos e equipamento de proteção individual. Regras e treinamento ficam nos controles administrativos, que exigem esforço contínuo de trabalhadores e supervisores. O arco de proteção do trator é um controle de engenharia.Mais eficaz1. Eliminação2. Substituição3. Controles de engenhariaproteção feita na máquina: o arco4. Controles administrativosregras e treinamento: a orientação fica aqui5. Equipamento de proteção individualMenos eficaz

Uma revisão da Cochrane sobre como prevenir lesões na agricultura, com estudos publicados de 1993 a 2006, não encontrou evidência de que ações de educação reduzissem as lesões. Os autores classificaram a qualidade metodológica de todos os estudos incluídos abaixo da alta. Leia o resultado como falta de evidência, não como prova de que a orientação não adianta.

Por isso, continue dando a orientação e guardando a assinatura, e escreva na mesma linha o que a própria máquina faz pelo trabalhador. Um trabalhador afastado deixa o posto vazio, e a conta de repor um trabalhador lista o que isso custa.

O que baixa a morte quando o trator tomba?

Uma EPC, junto com o cinto de segurança. Os capotamentos de Nebraska, investigados desde 1967, foram publicados pelo CDC e pelo NIOSH em 1993. Das cerca de 250 pessoas em capotamentos de tratores sem EPC, 40% morreram. Das 61 pessoas em tratores com EPC, uma morreu, 2%. Essa pessoa não usava o cinto e foi lançada para fora da zona protegida.

Esses números vêm de acidentes investigados, não de um ensaio, então descrevem um padrão, não um teste controlado. O NIOSH estimou que 43% das mortes que os capotamentos poderiam causar são evitadas pelas EPC hoje em uso.

Figura: Parcela das pessoas que morreram em capotamento de trator na série de Nebraska, com e sem EPC. Fonte: US CDC/NIOSH, MMWR, 1993
40% morreram sem EPC, 2% com elaNa série de Nebraska, cerca de 40% das cerca de 250 pessoas em capotamentos de tratores sem EPC morreram. Nos tratores com EPC, 1 de 61 pessoas, 2%, morreu, e essa pessoa não usava o cinto. O NIOSH estimou que 43% das mortes possíveis em capotamento são evitadas pelas EPC em uso.Pessoas que morreram no capotamentoTrator sem EPC (cerca de 250 pessoas)40%Trator com EPC (61 pessoas)2%NIOSH: 43% das mortes possíveis emcapotamento são evitadas pelas EPC em uso

A revisão da Cochrane traz um detalhe sobre leis. Leis que exigiram EPC nos tratores novos vendidos depois de uma data foram associadas a menos lesões fatais no longo prazo, e uma lei que alcançou todos os tratores, os velhos também, não foi.

Na ficha, isso vira uma coluna para cada trator: EPC sim ou não, cinto sim ou não, e desde quando.

Se a NR-31 exige a EPC, por que escrever na ficha?

Porque o trator precisa ter o que a norma exige, e só a sua ficha registra se o seu tem. Pela NR-31, as máquinas autopropelidas, as que andam sozinhas, como o trator, devem ter EPC e cinto de segurança, exceto as do Quadro 1 do Anexo II. A mesma NR exclui dessa obrigação as máquinas fabricadas antes de maio de 2008, desde que usadas conforme as recomendações operacionais do fabricante.

Um trator anterior a maio de 2008 pode, portanto, estar dentro da norma e sem EPC. Quais dos seus tratores foram fabricados antes dessa data, só você sabe, e só a linha de cada trator registra.

A Lei 8.213 acrescenta que a empresa é responsável pela adoção e uso das medidas coletivas e individuais de proteção. O uso conta: um cinto instalado e solto no banco não protege, como no único óbito com EPC em Nebraska.

Figura: O que a NR-31 e a Lei 8.213 cobrem no trator, e o que só a sua ficha registra. Fontes: NR-31, itens 31.12.38 e 31.12.38.1; Lei 8.213, art. 19
Exigências da norma para o trator e registro de cada trator na fichaNa NR-31 e na lei: EPC e cinto de segurança nas máquinas autopropelidas, com a exceção do Quadro 1 do Anexo II; exclusão para as fabricadas antes de maio de 2008 usadas conforme o fabricante; empresa responsável pela adoção e uso da proteção. Só na ficha: qual dos tratores tem a EPC, se o cinto continua no banco, quem foi orientado em qual atividade e a data de orientar de novo cada trabalhador.Na NR-31 e na leiEPC e cinto nas autopropelidasExceção: máquinas do Quadro 1, Anexo IIExclusão: fabricadas antes de maio de 2008Empresa responsável pela adoção e usoSó na sua fichaQual dos seus tratores tem a EPCSe o cinto continua no bancoQuem foi orientado em qual atividadeA data de orientar cada um de novo

O texto da Lei 8.213 sobre os 15 primeiros dias fala em afastamento por motivo de doença. Como ele vale para o acidente de trabalho na sua fazenda é pergunta para um contador ou um advogado, e se a NR-31 alcança uma fazenda em particular também. Esta página não interpreta a lei. Conferir se a EPC e o cinto continuam funcionando é outro registro, o das áreas de trabalho abaixo do padrão.

Quem precisa constar na ficha?

Quem dirige o trator há anos, e não só o contratado novo. O recém-chegado já recebe o passeio pelo equipamento e pelos perigos na lista do primeiro dia. Para os demais, o ponto é o trator: quem opera o mais antigo é quem pode estar sem EPC, dentro da norma.

A exclusão da NR-31 vale só para as máquinas anteriores a maio de 2008. Em uma fazenda com tratores de épocas diferentes, dois operadores podem estar sob regras diferentes sem que nenhum deles saiba.

Figura: A data de fabricação do trator e a obrigação de EPC e cinto na NR-31. Fonte: NR-31, itens 31.12.38 e 31.12.38.1
A data de maio de 2008 separa dois tratores sob regras diferentesFabricado antes de maio de 2008: excluído da obrigação de EPC e cinto, se usado conforme as recomendações do fabricante. Fabricado a partir de maio de 2008: deve ter EPC e cinto de segurança, salvo as máquinas do Quadro 1 do Anexo II.Antes de maio de 2008Fica excluído da obrigação deEPC e cinto, se usado conformeas recomendações do fabricanteDe maio de 2008 em dianteDeve ter EPC e cinto de segurança,salvo as máquinas do Quadro 1do Anexo II

Escreva uma linha para cada atividade que a pessoa faz, e não só para a que motivou a contratação. Quando ela muda de atividade, a linha nova registra a nova orientação. Isso é uma recomendação desta página, não uma exigência que ela tenha conferido na lei.

O que escrever primeiro na ficha, e em quanto tempo?

Comece pelos serviços com trator, porque neles uma linha decide mais. O exemplo é uma fazenda de soja e leite em Castro (PR), com quatro trabalhadores e três tratores. Dois tratores têm EPC e cinto, e ninguém tem registro de a terceira ter EPC. Essas contagens são do exemplo, e as atividades também.

Figura: Como se contam as doze linhas da fazenda do exemplo, e o que cada linha leva
Três atividades vezes quatro trabalhadores dão doze linhasTrês atividades: transporte em estrada, trabalho na lavoura e reboque ou arraste de máquina atolada. Quatro trabalhadores embaixo de cada uma. Doze linhas. Cada linha leva o trator com a EPC e o cinto, o nome e a assinatura do trabalhador, quem deu a orientação e a assinatura, a data da orientação e a data de orientar de novo.3 atividadestransporte em estradatrabalho na lavourareboque ou arraste de máquina atoladavezes 4 trabalhadores12 linhasCada linha levaO trator, com a EPC e o cintoNome e assinatura do trabalhadorQuem deu a orientação, e a assinaturaA data em que foi orientadoA data de orientar de novoA data de orientar de novo alimenta o plano

As datas de orientar de novo alimentam o plano de treinamento da equipe, e a ficha fica junto com os outros registros de pessoas.

Cuidar da segurança de quem trabalha na fazenda é parte da gestão da fazenda.

Procedência

Deriva de
  1. US CDC/NIOSH, Public Health Focus: Effectiveness of Rollover Protective Structures for Preventing Injuries Associated with Agricultural Tractors, MMWR, 1993
  2. US CDC/NIOSH, Hierarchy of Controls
  3. Rautiainen, Lehtola, Day, Schonstein, Suutarinen, Salminen e Verbeek, Interventions for preventing injuries in the agricultural industry, Cochrane Database of Systematic Reviews, 2008
  4. Brasil, Ministério do Trabalho e Emprego, NR-31, Segurança e Saúde no Trabalho na Agricultura, Pecuária, Silvicultura, Exploração Florestal e Aquicultura, texto atualizado de 2024 (itens 31.3.3 e 31.12.38)
  5. Brasil, Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, texto compilado (arts. 19 e 60), via Planalto
  6. Agência Estadual de Notícias do Paraná, piso salarial regional de 2026 (Grupo I), 19 de janeiro de 2026
O que este artigo cobre
Listar, para cada atividade, o que pode matar ou afastar e a proteção que a máquina ou o lugar já tem, e preparar a ficha em que cada trabalhador assina, com data, que foi orientado para o serviço que faz.
O que ele não cobre
Como fazer a tarefa com segurança, que é competência de quem opera e da bula do produto, não desta página. Fica de fora a lei trabalhista do seu país item a item, trabalho de advogado onde você produz, se a NR-31 alcança uma fazenda em particular e se vale instalar a estrutura de proteção em cada trator, que é decisão do dono com o mecânico. A página não interpreta a lei, não promete resultado e não recomenda número.
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Como citar este artigo

RURIVIA. A orientação de segurança assinada basta na fazenda? [S. l.], 11 set. 2026. Disponível em: https://rurivia.com/pt-br/biblioteca/pessoas/quem-recebeu-qual-orientacao-de-seguranca/. Acesso em:


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