Plano de investimentos é uma lista de uma página com o que a fazenda vai comprar ou construir em três a cinco anos, com custo, ano, condição em número e quem autoriza. Escreva a sua antes da próxima visita do vendedor, porque sem ela a compra acompanha a renda do ano. Um programa de registros de Illinois, nos Estados Unidos, acompanha fazendas de grãos. Nelas, as compras de bens de capital, que são máquinas e construções, caíram de US$ 335.000 por fazenda em 2023 para US$ 184.000 em 2025, quando a renda caiu. Comprar uma colhedora sem a conta da linha pode custar R$ 32.580 por ano a mais que contratar a colheita, numa fazenda de 600 hectares de soja (números de exemplo abaixo).
O que decide a compra quando não há nada escrito?
Duas coisas, e as duas vêm da renda que já entrou. A primeira é o caixa que sobra no fim de um ano de lucro. A segunda é o imposto que essa renda gera. O vendedor costuma aparecer depois do ano bom, e em dezembro quem cuida da contabilidade liga dizendo quanto imposto uma compra antes do fim do ano economizaria. Nick Paulson, economista agrícola, e dois colegas descrevem o mecanismo num boletim de 2024 do farmdoc daily. Segundo eles, os custos sobem mais rápido nos períodos de renda alta, porque é quando o produtor rural investe em máquina e administra o próprio resultado tributável. Nenhum dos dois gatilhos tem a ver com a fazenda precisar ou não do item. Fazenda sem lista também tem uma regra de compra. Ninguém combinou essa regra, e ela depende só do saldo da conta.
A série de Illinois vem da Illinois Farm Business Farm Management (FBFM), um programa de registro contábil de fazendas daquele estado. Gary Schnitkey e três colegas, economistas agrícolas, publicaram os números em agosto de 2026. A compra de bens de capital foi em média de US$ 335.000 por fazenda de grãos em 2023, US$ 236.000 em 2024 e US$ 184.000 em 2025. Os autores leem isso como um padrão: compras de bens de capital mais altas costumam andar junto com renda líquida mais alta, e caem quando a renda líquida cai, muitas vezes com defasagem.
A compra também continua pesando no custo por anos, como depreciação, a parte do preço da máquina que se conta como custo a cada ano. Nas fazendas de grão de alta produtividade do centro de Illinois, a depreciação ficou em média em 91 dólares por acre em 2025, 53% dos 170 dólares de custo ligado a máquinas no milho. Um acre tem 0,4 hectare, então 91 dólares por acre são cerca de 225 dólares por hectare. Mais da metade do custo de máquina no milho era o desgaste de máquinas compradas em anos anteriores, e cada máquina nova soma a esse custo.
O que vai em cada linha, e como fixar a condição?
Cinco coisas: o item, o custo, o ano, a condição e a pessoa que autoriza. O custo vem de uma cotação atual ou da última nota fiscal de algo parecido. O ano vem do plano de produção, e não da idade da máquina nem do calendário do vendedor. O que a fazenda pretende produzir nos próximos anos define quais máquinas e construções precisam existir, e até quando, e isso se escreve em um plano plurianual de produção. Linha sem ano é desejo com preço. Cada linha com ano precisa também de uma rubrica no orçamento daquele ano, como um orçamento de três anos calculado sobre um preço declarado. Linha que nunca chega ao orçamento não tem dinheiro reservado.
A condição é um número que outra pessoa consegue conferir antes de o dinheiro sair. Para achá-lo, compare a compra com a outra saída, como contratar o serviço de terceiros ou ficar com a máquina velha mais um ano. Veja a linha da colhedora numa fazenda de soja de 600 hectares no centro-sul de Mato Grosso do Sul. A Embrapa Agropecuária Oeste, em Dourados, estimou para a safra 2020/21 a colheita da soja em R$ 34,30 por hectare, dentro das operações agrícolas, que englobam manutenção das máquinas, combustível e mão de obra. A depreciação das máquinas aparece em outra linha dessa planilha, então esse valor não paga a colhedora.
Escreva na linha também o valor da outra saída, com a fonte e a data, em um registro da opção que você descartou. Quando reler a lista, você vê se a condição estava mal definida ou se o preço do prestador de serviço mudou. A lista não projeta retorno. Payback, valor presente líquido e taxa interna de retorno dependem de fluxos de caixa que ainda são previsão, então nenhum serve de gatilho.
Em que ordem as linhas esperam, e quem as autoriza?
Ordene as linhas da mais necessária para a menos necessária. Quando o dinheiro aperta, esperam as de baixo, e a lista sem ordem deixa a escolha para quem da fazenda estiver na revenda. Radek Zdeněk e uma colega, economistas agrícolas, acompanharam fazendas tchecas de 2003 a 2016. Concluíram que a compra de terra provavelmente afeta o crescimento da idade relativa do ativo imobilizado, sobretudo a obsolescência das construções às quais as propriedades não destinam recursos suficientes. Ou seja, o dinheiro foi para a terra e as construções envelheceram sem manutenção. Lá as fazendas compravam a terra que antes arrendavam, situação própria do país, e os autores tratam o efeito como provável, não comprovado.
Uma lista ordenada não impede ninguém de comprar terra. Impede a fazenda de descobrir, no ano em que o telhado do galpão cede, que o telhado nunca esteve na lista. O combate à erosão é a linha que mais costuma ficar sem ano e sem valor, porque é decidido na semana seguinte a uma chuva forte e pago com o que sobrou.
Ao lado de cada linha, escreva o nome de uma pessoa que a autoriza, e não necessariamente a mesma em todas. Sem essa coluna, a lista descreve compras que ninguém em particular está autorizado a fazer, e na prática quem compra é quem estiver na frente do vendedor.
No pé da lista, some o que as linhas pedem em cada ano e escreva ao lado quanto você espera que a operação ganhe naquele ano. Quando o total é o número maior, parte do dinheiro vai ter de vir de outro lugar. Em Illinois, a compra média anual de bens de capital nos últimos dez anos superou a renda líquida média anual, contando os pagamentos do governo como renda. Os autores apontam a renda de fora da fazenda obtida por familiares ligados à operação, e renda de outros negócios. É melhor ver essa diferença na lista do que no saldo da conta em dezembro.
Qual a altura da condição quando o preço oscila?
Mais alta, porque esperar tem valor: a compra adiada ainda pode ser feita depois, quando o preço estiver mais claro. Spiegel e dois colegas modelaram uma propriedade de lavoura no norte da Alemanha num artigo da Q Open, revista de economia agrícola. Concluíram que uma volatilidade maior, ou um nível de risco percebido maior, aumenta tanto o valor da opção quanto o preço de disparo que precisa ser alcançado para iniciar o investimento. Ou seja, quanto mais o preço oscila, mais alto ele precisa chegar para valer investir. Na lista, quanto menos previsível o preço do que a fazenda vende, mais exigente deve ser a condição daquela linha.
O estudo simula um tipo de propriedade e uma cultura, então os números dele não valem para fazenda nenhuma. O que se aproveita é a direção. Ela vai contra o costume, em que o ano de preço instável que por acaso terminou bem costuma ser o ano em que a fazenda mais gasta. Só quem escreveu a condição antes desse ano consegue saber depois se atingiu a condição ou se mudou a condição no meio do caminho.
Se uma linha sai antes de a condição ser atendida, anote no mesmo dia a data, quem decidiu, o valor que a condição pedia e o valor que era verdadeiro. Compra boa e compra ruim ficam iguais no ano em que são feitas. Comparar esses dois valores depois é a parte da gestão de fazendas que uma lista de investimentos mais costuma pular, porque a essa altura a máquina já está no galpão e a pergunta parece resolvida.
Em dezembro, a pergunta do investimento e a do imposto costumam aparecer na mesma conversa. A parte do imposto depende do regime tributário, as regras pelas quais a fazenda apura o imposto, que fica anotado em um registro do regime tributário. Na lista de investimentos você decide o que comprar. No registro do regime você vê por quais regras a compra vai ser contada. Se a fazenda tem só o registro do regime, o que ela chama de plano de investimentos é planejamento do imposto.
Por onde começar
Duas horas, com o inventário de máquinas e benfeitorias e as notas fiscais de compra na mesa. Uma folha, uma linha por item, cinco colunas e uma data no pé. A condição é a coluna que mais costuma ficar em branco, e sem ela a lista vira lista de desejos. Escreva a data em que a lista foi feita e a data em que ela será lida de novo. Lista relida uma vez por ano, com as linhas que já saíram marcadas e as condições erradas reescritas, continua útil. Lista escrita uma vez e arquivada é o retrato da opinião de um ano que já acabou.
Ano bom é informação de verdade, e nada aqui manda ignorá-lo. Com ele você sabe quanto a fazenda pode gastar neste dezembro. Não sabe do que ela precisava, e essa pergunta tinha de ser respondida antes, quando ninguém sabia como o preço ia virar. Com a lista, as duas perguntas são respondidas em dias diferentes.