Um produtor rural da Serra Gaúcha que reparte R$ 6.000 de prêmio entre seis podadores de videira por critério próprio pode perder R$ 2.640 de poda feita, além do dinheiro pago (valores de exemplo). Numa fábrica da Índia, quem soube que ganhava menos que os dois colegas produziu 22% menos. Cinco podadores que fazem R$ 240 de poda por dia e rendem 22% menos nos dez dias seguintes deixam R$ 2.640 de poda por fazer. Por isso, escreva a regra do prêmio antes de o período começar, entregue uma cópia a cada podador e diga em voz alta o que motivou cada pagamento.
A regra cabe numa página de papel. A frente é a página do prêmio: a meta, o valor, como o dinheiro é dividido, a data do pagamento, o que cancela o prêmio e a data em que a turma recebeu a página. O verso é a regra do agradecimento: que tipo de trabalho merece um agradecimento que não custa dinheiro, em termos que qualquer um da turma cumpre, e a forma que o agradecimento toma.
Por que a turma vê favoritismo onde o produtor rural vê mérito?
Porque a turma vê o valor e não o motivo, e um valor sem motivo visível parece uma escolha sobre a pessoa. Os economistas Emily Breza, Supreet Kaur e Yogita Shamdasani contrataram 378 trabalhadores em Odisha, na Índia, por um mês de trabalho industrial sazonal. Os gerentes mantinham os salários em sigilo, mas, ao fim do mês, 86,6% dos trabalhadores sabiam dizer quanto os dois colegas de sua unidade ganhavam.
O trabalhador pago a menos que os dois colegas produziu 22% menos, e a presença caiu 12 pontos percentuais, ou seja, 12 dias a menos em cada 100 dias devidos. A queda só apareceu quando o motivo da diferença não estava claro. Onde o colega mais bem pago era visivelmente mais produtivo, não houve queda. O estudo foi numa fábrica, não numa fazenda.
Gregorio Billikopf, especialista em mão de obra rural da Universidade da Califórnia, traça a mesma linha nas fazendas. No incentivo estruturado, cuja regra é conhecida de antemão, os trabalhadores entendem antes a relação exata entre desempenho e recompensa. No incentivo casual, dado quando o encarregado escolhe, ele lista entre os problemas a inveja e a sensação de que o encarregado age por favoritismo. Pagar em particular reduz a comparação, mas a sensação de arbitrariedade pode ficar. Por isso, mantenha o valor em particular e diga o motivo em voz alta.
O favoritismo também pode ser real. Numa grande fazenda de frutas do Reino Unido, os encarregados recebiam salário fixo e distribuíam as fileiras. O colhedor produzia entre 5% e 9% mais nos dias em que tinha com o encarregado a mesma nacionalidade, o mesmo alojamento ou a mesma época de chegada, segundo Oriana Bandiera e coautores. Quando a fazenda passou a pagar ao encarregado um prêmio sobre a produção média da turma, o vínculo deixou de pesar e os encarregados concentraram o esforço nos colhedores mais capazes.
Assim, a regra precisa valer para quem entrega a recompensa, e não só para o produtor rural. Se um encarregado decide quem recebe prêmio ou folga, dê a ele a mesma página. As decisões que cabem só a ele estão em o que o gerente decide sem perguntar a você.
Diga o motivo em voz alta a cada pagamento, a começar pelo próximo.
O que entra na página do prêmio antes de o período começar?
Seis linhas, todas decididas antes de alguém saber quem vai ganhar o quê. A Teagasc, agência irlandesa de agricultura e alimentos, diz que um plano de incentivo deve estar por escrito, ter metas alcançáveis e indicar o patamar de desempenho acima do qual o incentivo vale. A meta funciona só como número que a turma altera pelo trabalho. Se o clima ou o preço decidem, o prêmio paga a sorte.
Para uma turma de poda, o prêmio por ficar até o último dia da poda é uma meta que todo podador controla. Billikopf descreve produtores que pagam um adicional por caixa colhida a quem fica até o fim da safra; na poda, o equivalente é um adicional por planta. Escreva o último dia, o valor por planta e a data do pagamento na página.
O que cancela o prêmio precisa estar ligado ao que o prêmio paga e ser dito de antemão. No prêmio por ficar, é sair antes do último dia, e nada mais. Dada a regra, ela pode ficar mais fácil, nunca mais difícil. Billikopf conta de um viticultor que baixou o valor pago por videira de 32 para 28 centavos e viu, em uma semana, metade da turma ir embora.
Escreva as seis linhas nesta semana, antes de o próximo período de pagamento começar.
Como ratear o prêmio?
O rateio é a forma de dividir o dinheiro entre a turma. Conforme o rateio, a turma se une ou se separa, e cada forma tem um custo.
| O rateio | Quem recebe quanto | O que custa |
|---|---|---|
| Partes iguais | R$ 1.000 para cada um, seja qual for o que cada um fez | Não há o que explicar, mas os podadores mais rápidos podem diminuir o ritmo |
| Um prêmio só para o melhor | R$ 6.000 para um podador e nada para os outros cinco | Só os poucos do topo disputam; o resto ignora ou se ressente |
| Um patamar que todos podem passar | R$ 1.500 para cada um dos quatro que passam, nada para os dois que não passaram | Cada vencedor leva menos do que com um prêmio só, e os dois que ficaram abaixo sabem por quanto |
| A contagem de cada um | Na proporção das plantas podadas por cada podador | Só funciona com um número que o podador controla e não consegue inflar |
Partes iguais parecem o mais seguro e ainda assim custam. Billikopf relata um encarregado que viu que, com incentivo em grupo, os trabalhadores mais rápidos eram os que mais diminuíam o ritmo.
Um prêmio só para o melhor mexe apenas com o topo. Billikopf observa que a disputa pelo título de funcionário do mês acontece entre cerca de 15% do topo da força de trabalho. Ele aconselha desenhar o prêmio para que todo trabalhador que passe de um nível de desempenho fixado possa recebê-lo, mesmo que cada prêmio seja menor.
Ratear pela contagem de cada um dá a ligação mais clara entre esforço e recompensa, desde que a contagem seja um número que o podador controla, o que se testa antes de pagar. Qualquer que seja o rateio, escolha antes de o período começar, antes que alguém diga que foi feito sob medida para um nome.
Uma parte do lucro da fazenda é um prêmio ruim. Billikopf nota que clima, mercado e a própria contabilidade da fazenda mexem no lucro junto com o trabalho da turma. Ele acrescenta que os trabalhadores nem sempre veem ligação entre o esforço e o lucro. Conta de um gerente que recebeu um cheque grande de participação nos lucros num ano, um bem menor no seguinte, sentiu-se lesado e saiu.
Se o prêmio for participação nos lucros ou resultados, a Lei 10.101/2000 fala em metas, resultados e prazos pactuados previamente (art. 2º, § 1º, II). Ela diz também que a pessoa física não se equipara a empresa (art. 2º, § 3º, I). Se isso alcança o seu prêmio, e como ele é tributado e entra na folha de pagamento, são perguntas para o contador.
Escolha hoje o rateio e escreva-o na frente da página.
E o agradecimento que não custa dinheiro?
Billikopf avisa que um prêmio dado por rotina logo vira parte da remuneração que as pessoas esperam. Ele observa que um agradecimento que nomeia o motivo, como menos quebras de máquina na colheita, funciona melhor do que um obrigado geral.
Economistas liderados por Christiane Bradler contrataram 363 pessoas, em sua maioria estudantes, para três horas de digitação de dados, oito por sala. Depois de duas horas, um cartão de agradecimento sem aviso para os três melhores de cada oito aumentou o desempenho seguinte, principalmente entre quem não recebeu cartão. O estudo não foi numa fazenda. Ninguém sabia quando o cartão chegaria, mas o motivo era claro: foi para os três melhores. Por isso, no agradecimento, o que se escreve antes é o critério, ou seja, o que merece um, e não o momento.
Numa fazenda de uva, escreva esse critério em termos que qualquer um cumpre: fileira podada limpa dentro da janela, semana sem poda refeita, turno de colega doente coberto sem ser pedido. Deixe de fora a produtividade da safra e o preço, que nenhum podador controla. É a mesma ideia de avaliar as pessoas por critérios que elas conheciam antes.
Escreva o critério do seu primeiro agradecimento no verso da página.
Qual linha escrever hoje, e quanto tempo isso leva?
Cerca de uma hora e uma página de papel, antes da safra ou do ano que o prêmio cobre. Escreva a frente primeiro, porque o verso depende de saber pelo que o prêmio paga. Depois entregue a página.
O salário fixo de cada função, pago com ou sem prêmio, é outra decisão, e fixar faixas salariais e a regra de aumento de cada função trata dela. Outras regras escritas para uma turma estão nos artigos da biblioteca sobre pessoas, parte da gestão da fazenda inteira.