Numa fazenda de exemplo em Campo Mourão (PR), em 25 de janeiro faltam semear 800 hectares de milho 2ª safra e colher 300 hectares de soja, e a mesma turma atende as duas operações. Dar o dia à soja e deixar o milho esperando custa ao produtor rural cerca de R$ 23.600 a mais por dia de espera. Dê o dia à operação que perde mais por dia naquela semana. Antes da safra, escreva a janela, a data-limite e a perda por dia de cada operação numa tabela, no papel ou na planilha, com uma linha por operação.
A janela é o período em que a operação dá o melhor resultado. A data-limite é o último dia que ainda cabe no plano original. Se a operação for passar dela, você muda o plano: faz essa operação primeiro, contrata serviço ou troca de cultura.
Em muitas fazendas a escolha sai na manhã do próprio dia, por hábito ou pela máquina que está mais perto. A produtividade se perde então em cada hectare que espera, e no fim da safra ninguém sabe dizer quanto a espera custou.
Qual operação fica com o dia?
A que perde mais reais naquele dia. Multiplique a perda por dia de cada operação, em reais por hectare, pelos hectares que ainda esperam por ela. O produto maior fica com o dia.
As duas perdas por dia vêm de fontes de lugares diferentes: a simulação para Campo Mourão relatada pela Embrapa Soja e o ensaio de Castro e Itaberá. Por isso servem só de ponto de partida. Troque cada uma por um número de ensaio da sua região assim que achar.
Por que um dia de atraso custa mais numa área maior?
Porque a perda cai sobre todos os hectares que ainda esperam. Gary Schnitkey, economista agrícola da Universidade de Illinois, calculou o custo de atraso de uma plantadeira de 12 linhas, o valor da produtividade perdida porque ela termina tarde. Ele achou US$ 0,86 por acre em 400 acres e US$ 32,81 por acre em 3.600 acres, a preços de 2004.
Em hectares, 400 e 3.600 acres são 162 e 1.457 ha, e US$ 0,86 e US$ 32,81 por acre são US$ 2,13 e US$ 81,07 por hectare. A área cresceu 9 vezes e o custo por hectare cerca de 38 vezes. Com mais hectares, a mesma plantadeira precisa de mais dias para terminar, e cada dia a mais cai sobre mais hectares ainda por semear. Conte os hectares que esperam por cada operação antes de comparar as operações.
Todas as operações perdem o mesmo por dia?
Não, e essa diferença é o que você usa para escolher quem fica com o dia. Schuler e Frank, num guia de custos de máquinas da Universidade de Wisconsin-Extension, reproduzem uma tabela da Sociedade Americana de Engenheiros Agrícolas. Nela, a fração da produção perdida por dia de atraso é de 0,005 para a plantadeira, 0,003 para a colhedora, 0,011 para o pulverizador de barra e 0,028 para a enfardadora. São números gerais dos Estados Unidos, não da sua fazenda.
Na fazenda de exemplo, a soja perde mais por hectare do que o milho, mas o milho fica com o dia porque tem mais hectares esperando. A soja perde R$ 60 por hectare por dia (30 kg/ha × R$ 2,00 por kg), e o milho R$ 52 (52 kg/ha × R$ 1,00 por kg). Multiplique pelos hectares antes de decidir.
A perda por dia é a mesma durante toda a janela?
Não, e o rumo muda de operação para operação. Nos ensaios de Castro e Itaberá, a curva ajustada estima que a soja de 4.000 kg/ha perde 4,9%, 7,5%, 10,1% e 12,8% da produtividade com a colheita atrasada em 5, 10, 15 e 20 dias. Os dias contam a partir do estádio R8.2, o de maior produtividade, e a perda em quilos é de 196, 300, 404 e 512 kg/ha. Em cada trecho de 5 dias, isso dá cerca de 39, 21, 21 e 22 kg/ha por dia: os primeiros dias custam quase o dobro dos seguintes. A curva explica cerca de um terço da variação (R² ajustado de 0,32), e as maiores perdas vieram de ambientes com muita chuva.
Na semeadura, a penalidade cresce mais depressa com o passar das datas. Scott Irwin resumiu ensaios de plantio da Universidade de Illinois. Semear até 10 de maio custou só 4% da produtividade no milho e 6% na soja, e em 30 de maio a penalidade era duas a três vezes maior. Esses ensaios são do hemisfério norte e servem aqui só para mostrar o formato da curva.
Na tabela, escreva por isso uma perda por trecho da janela, não um número único por operação.
Qual é a primeira coisa a registrar, e em quanto tempo?
Comece com uma linha por operação: a janela, a data-limite, uma perda por dia tirada de um ensaio publicado para a sua região, com a fonte ao lado, e o nome de quem decide. A extensão rural ou o seu agrônomo podem indicar um ensaio. Depois, para cada par de operações que precisam da mesma máquina ou da mesma turma nas mesmas semanas, escreva qual fica com o dia em cada semana em que as janelas se sobrepõem.
As datas em si, e a escolha de cultura e cultivar, são decisão sua e do seu agrônomo. Na tabela, você as deixa escritas onde a turma enxerga. Comprar uma máquina maior é outra decisão, para um plano de investimentos escrito; qual operação fica com o dia você decide nesta safra, com as máquinas que já tem.
Depois da colheita, acrescente quatro colunas na mesma tabela: a data em que cada operação foi feita, se ficou dentro ou fora da janela, os dias de atraso e o motivo em poucas palavras. Copie as datas do caderno de campo, não da memória. O plano e o caderno costumam ser escritos em momentos diferentes, por pessoas diferentes, e uma operação feita com dez dias de atraso entra no caderno como feita, sem marca de que perdeu a janela.
Com essa estimativa você compara duas operações atrasadas numa só escala. A coluna do motivo é a que você relê ao planejar as janelas da safra seguinte. Um atraso que parecia azar pode ter uma causa que se repete, como uma plantadeira que quebrou na mesma semana, e dá para corrigi-la antes de a janela abrir. Decidir antes da correria e conferir depois faz parte da rotina de gestão de fazendas e do planejamento da safra.
Leva duas horas antes da safra e uma tarde depois da colheita, com as datas da safra passada, o caderno de campo e uma perda por dia publicada para as suas culturas principais à mão.
Na primeira safra, a coluna da perda por dia traz números emprestados de ensaios longe das suas lavouras. Depois de duas ou três safras, as suas próprias colunas de dias de atraso e de motivo ficam ao lado, e você vê qual operação passa sempre da data-limite, e por quê.