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Diesel comprado e horímetro não batem: o que conferir

Duas contas com registros que você já guarda, uma do trator e outra do tanque, dizem se uma diferença de diesel merece busca e o que conferir primeiro.

Publicado em Atualizado em 13 min
Neste artigo

Quando o diesel comprado e as horas do trator não fecham, o produtor rural paga por combustível que ninguém sabe explicar. No exemplo abaixo são 1.272 litros em um mês, cerca de R$ 7.632 ao preço de exemplo de R$ 6,00 por litro. A decisão é se essa diferença merece uma busca. Divida o diesel do trator pelas horas do horímetro, o marcador que conta as horas do motor, em um mês fechado. Compare o resultado com 0,223 litro por hora para cada quilowatt de potência nominal do trator. Depois feche o tanque do mesmo mês e só busque se faltar mais de 1% do que saiu dele mais 492 litros.

Quanto diesel um trator deve gastar em uma hora?

A publicação 442-073 da Extensão Cooperativa da Virgínia traz a relação mais usada para estimar o consumo de um trator. Um trator a diesel gasta em média 0,044 galão por hora para cada cavalo de potência nominal na tomada de força (TDF), o eixo traseiro que aciona os implementos. Em unidades daqui são 0,223 litro por hora para cada quilowatt, conversão feita neste artigo. O fabricante informa a potência nominal. No exemplo, um trator de 132 kW (180 cv) fica em 29,4 litros por hora.

O número é uma média tirada de testes de trator, e a publicação avisa que o método tende a subestimar o consumo. Um trator que gasta um pouco acima da média é comum.

Para um serviço de campo, a Extensão da Universidade Estadual de Iowa publica o gasto por área. A escarificação pede 1,10 galão por acre, 10,3 litros por hectare. O autor avisa que o gasto real pode ser até 35% maior ou menor que os valores da tabela. Trator fabricado antes de 1990 ou mal conservado pode gastar 10% ou mais.

Só a velocidade já muda o número. Pesquisadores da King Saud University puxaram um escarificador com um trator de 82 kW (110 cv), em solo argiloso, no Egito. A profundidade e o solo ficaram iguais, e a velocidade mudou. O trator gastou 15,18 litros por hora a 3,7 km/h e 21,81 a 6,9 km/h. O gasto por hora subiu 43,7%, enquanto o gasto por quilowatt-hora, o consumo específico, caiu 33,3%.

Figura: Consumo por hora do mesmo trator de 82 kW com escarificador em duas velocidades, mesmo solo e mesma profundidade, num teste no Egito. Fonte: Al-Sager et al., Agronomy 14(3):492, 2024
O mesmo trator gastou 44% mais por hora na velocidade maiorA 3,7 quilômetros por hora o trator gastou 15,18 litros por hora. A 6,9 quilômetros por hora gastou 21,81 litros por hora.Consumo por hora, escarificador, 82 kW15,18 L/h21,81 L/h3,7 km/hmais devagar6,9 km/hmais depressa

Uma diferença de 20% ou 30% no gasto por hora, sozinha, diz pouco. Procure a potência nominal na TDF de cada trator e anote ao lado do nome dele.

Como transformo as notas fiscais em consumo por hora?

O horímetro conta uma máquina só, e a nota fiscal cobre uma entrega no tanque de onde várias máquinas tiram. Se um trator é a única máquina do tanque, as notas dele são o registro do seu diesel. Se várias máquinas dividem o tanque, alguém precisa anotar na bomba qual máquina tirou quanto, com bomba de medidor ou prancheta. Um relatório de 2021, feito para o Departamento de Indústrias Primárias de Nova Gales do Sul, na Austrália, trata disso. Ele diz que medidores de combustível relativamente baratos nos tanques de diesel permitem registrar com exatidão o uso de cada máquina. Sem a anotação, dá para fechar o tanque, mas não uma máquina só.

Pegue um trator e um mês fechado. Leia o horímetro no primeiro e no último dia, some o diesel que ele tirou e divida.

Figura: Diesel que a média prevê para o trator do exemplo em outubro e diesel tirado segundo as anotações da bomba. Fonte: a conta do texto; as horas, a potência e os litros são inventados para o exemplo
As anotações da bomba mostram 1.272 litros a mais do que a média prevêNo exemplo, 120 horas a 29,4 litros por hora dão 3.528 litros pela média. As anotações da bomba mostram 4.800 litros tirados.Litros em outubro, 120 horas3.528 L4.800 LPela média0,223 x 132 kWTiradoanotações da bomba

Uma diferença de 36% fica na borda do que as faixas publicadas cobrem. O autor de Iowa admite 35% entre tratores e solos num serviço de campo, e o teste de velocidade mexeu sozinho em 44% o gasto por hora. Com a conta de um trator você sabe qual máquina olhar. Se o diesel saiu da fazenda sem registro, a pergunta se responde com o tanque.

De que tamanho a diferença precisa ser?

O limite mais claro vem de uma regra escrita para postos de combustível. A Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) define o controle de estoque, um dos métodos que aceita para checar vazamento em tanque subterrâneo. O método é registrar a cada dia de funcionamento o combustível que entrou, saiu e ficou, e conferir cada entrega com o comprovante, medindo o tanque antes e depois. O balanço mensal precisa detectar uma perda de pelo menos 1,0% do fluxo mais 130 galões, ou 492 litros. Leia fluxo como o volume que saiu do tanque no mês. A regra diz a menor perda que o método precisa pegar, e não um limite feito para fazenda. Este artigo a toma emprestada como a linha abaixo da qual o balanço mensal não separa perda de erro de medida.

O erro de medida existe. O órgão ambiental de Nova Gales do Sul considera a medição com vareta menos exata que os sistemas automáticos. Ele aponta incertezas da calibração da vareta, da dilatação térmica do combustível e da exatidão da leitura da vareta.

Os 492 litros fixos pesam mais numa fazenda, e costumam ser esquecidos quando se cita a regra. Num mês de 4.000 litros, a linha é 532 litros, 13,3%. Num mês de 8.000 litros, é 572 litros, 7,2%.

Figura: O que falta no tanque do exemplo em outubro contra o tamanho que o balanço mensal consegue separar de erro de medida. Fonte: a conta do texto com a fórmula do 40 CFR 280.43; as leituras são inventadas para o exemplo
Faltam 1.200 litros no tanque, 612 acima do erro comumO erro comum de um mês com 9.600 litros saídos do tanque é de 588 litros. Faltam 1.200 litros no tanque.Litros em outubro588 L1.200 LErro comum1% + 492 LFaltamsem explicação

No exemplo, 612 dos 1.200 litros que faltam passam do que o método distingue de erro de medida, então o tanque recebe os passos da próxima seção. Se faltassem 500 litros, a busca pararia no trator.

Em que ordem confiro as causas?

As diretrizes de Nova Gales do Sul, escritas para tanques subterrâneos de postos, citam quatro causas para um balanço de tanque que não fecha. O resultado pode vir de bombas descalibradas, entregas medidas com erro, erro humano no registro ou produto furtado. Citam também água que entra no tanque e combustível entregue no tanque errado, e dizem que a diferença não quer dizer necessariamente que o tanque vaza.

As diretrizes não dão ordem. Confira do que custa menos ao que custa mais, deixando por último o que abala a confiança. Meça o tanque de novo primeiro, porque vareta gasta ou combustível quente mexem na leitura. Teste a bomba em seguida, enchendo uma lata aferida. Depois confira cada entrega com o comprovante, medindo o tanque antes e depois. Releia as anotações da bomba atrás de linha faltando e de máquina errada. Então pergunte quem tirou diesel de propósito: um trator emprestado no fim de semana, uma motoniveladora mandada consertar a estrada do ônibus escolar, um tanque enchido para o serviço de um vizinho. O furto fica por último. Descarte o equipamento e o papel antes de questionar qualquer empregado.

Figura: A ordem dos seis passos quando o balanço do tanque não fecha. Fonte: ordem proposta neste artigo; as causas vêm das diretrizes da NSW EPA para tanques subterrâneos
Seis passos, da que custa menos à que abala a confiançaPrimeiro meça o tanque de novo, depois teste a bomba, confira as entregas com os comprovantes, releia as anotações, pergunte sobre diesel emprestado e por último sobre furto.Confira nesta ordem1Meça o tanque de novo2Teste a bomba com uma lata aferida3Confira cada entrega com o comprovante4Releia as anotações da bomba5Pergunte sobre diesel emprestado6Pergunte sobre furto, por último

Quando o tanque fecha mas o trator gasta por hora mais que a média, a máquina é a primeira suspeita. Veja o intervalo de revisão de fábrica, as horas entre revisões que o fabricante define no manual do operador: o trator pode ter passado dele. Depois veja a velocidade em que trabalhou e a idade.

O que escrevo primeiro, e para quando?

Escreva uma linha para cada achado: o que achou, quem age e até quando. Uma diferença sem dono e sem data continua lá no ano que vem. Uma diferença com aferição da bomba marcada para quinta e um nome ao lado se resolve.

Figura: Uma linha para cada achado. Fonte: modelo proposto neste artigo; o registro mostrado é um exemplo
Um achado tem três partes: o quê, quem e quandoUm cartão com três campos: o que se achou, quem age e até quando. O exemplo diz bomba sem aferir, gerente da fazenda, quinta.Uma linha para cada achadoO que achouBomba sem aferição com lataQuem ageGerente da fazendaAté quandoQuinta

São as leituras regulares que deixam notar uma mudança. O mesmo relatório de 2021 é direto. Sem medição, os produtores rurais só têm números aproximados do combustível que usam e não detectariam nem grandes variações de consumo que apontam para manutenção, falha de componente ou operação ruim.

Contam também os dias entre o fechamento do mês e o dia em que alguém compara os dois registros. Um tanque conferido em dezembro para outubro deixou um problema correr por dois meses. Essa espera tem artigo próprio, sobre quanto tempo até você saber. As mesmas duas leituras do horímetro, com um ano de distância, dividem a conta de reparos de uma máquina em custo por hora. Conferir registros é uma pequena parte da gestão de fazendas, e compensa quando o achado vira tarefa com nome e data.

Procedência

Deriva de
  1. Grisso, Predicting Tractor Diesel Fuel Consumption, Virginia Cooperative Extension 442-073, 2020
  2. Hanna, Fuel Required for Field Operations, Iowa State University Extension PM 709, revisado em 2001
  3. Al-Sager et al., Prediction of Specific Fuel Consumption of a Tractor during the Tillage Process Using an Artificial Neural Network Method, Agronomy 14(3):492, 2024
  4. US EPA, 40 CFR 280.43, controle de estoque para tanque subterrâneo
  5. NSW EPA, Underground Petroleum Storage Systems Guidelines, monitoramento de perda
  6. Gjerek, Morgan, Gore-Brown e Womersley, Diesel Use in NSW Agriculture and Opportunities to Support Net Zero Emissions, Australian Alliance for Energy Productivity para o NSW Department of Primary Industries, 2021
O que este artigo cobre
Comparar o diesel comprado com as horas trabalhadas, num trator e no tanque inteiro, em um mês fechado; que tamanho a diferença precisa ter para valer; e a ordem para conferir as causas.
O que ele não cobre
Negociar preço de combustível, escolher fornecedor, e regime tributário ou de ressarcimento, que muda de país para país. Aqui a pergunta é se os dois números batem, e não quanto você pagou por litro.
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Como citar este artigo

RURIVIA. Diesel comprado e horímetro não batem: o que conferir. [S. l.], 25 ago. 2026. Disponível em: https://rurivia.com/pt-br/biblioteca/financeiro/combustivel-contra-horimetro/. Acesso em:


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