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Custo da hora da máquina: ter a colhedora ou contratar?

Nem a declaração de imposto nem uma tabela publicada trazem o custo da hora da sua própria máquina. A nota fiscal de compra, o horímetro e o histórico de manutenção, que costuma estar na concessionária, trazem, e com eles você vê se o serviço contratado sairia mais barato.

Publicado em Atualizado em 14 min
Neste artigo

Escolher a tabela de manutenção errada muda em R$ 31.440 por ano a conta de uma colhedora de trigo nos Campos Gerais, no Paraná. A planilha da Fundação ABC dá R$ 127,80 de manutenção por hora para uma colhedora de R$ 1.150.000, e a norma da Conab resulta em R$ 23. Com a primeira, a colhedora própria que trabalha 300 horas por ano custa R$ 6.300 a mais do que contratar a colheita; com a segunda, custa R$ 25.100 a menos. Nenhuma tabela resolve a decisão de ter ou contratar. Escreva a hora da colhedora numa folha, com a nota fiscal de compra, o horímetro e o histórico de manutenção da concessionária, e compare com a tarifa do serviço contratado.

O horímetro é o marcador que conta as horas de motor ligado. A folha da hora da máquina reúne uma máquina numa página. Ela leva o preço da nota fiscal, os anos que você pretende ficar com a máquina, as leituras do horímetro do último ano e a manutenção ano a ano. Embaixo vai a tarifa do serviço contratado para o mesmo trabalho.

A hora própria é o custo de uma hora de trabalho da máquina da fazenda. A tarifa é o preço por hectare que um prestador de serviço cobra para colher com a máquina e o operador dele. O caso usa R$ 450 por hectare, valor hipotético, e 1,8 hectare por hora, a capacidade que a ABC dá à colhedora.

O preço, a vida, a revenda, o juro, o combustível e o operador vêm da ABC e da Conab, e a manutenção por hora é a que cada uma das duas fontes dá. Só a tarifa é inventada, e cada quadro avisa.

Quanto da hora é só ter a colhedora?

Ter a colhedora custa duas coisas que correm com ela parada ou trabalhando: o valor que ela perde por ano e o juro do dinheiro parado nela. A planilha da ABC avisa que o custo por hora só vale para um número de hectares por ano, 540 para a colhedora: com menos uso o custo sobe, com mais ele cai. O quadro mostra como sai o custo de ter, e a tabela o divide pelas horas.

Custo de ter a colhedora por hora, conforme as horas trabalhadas no ano
Horas trabalhadas no ano Custo de ter por hora
150 horas R$ 1.004,33
200 horas R$ 753,25
300 horas R$ 502,17
450 horas R$ 334,78

Passar de 450 horas para 150 triplica o custo de ter por hora, de R$ 335 para R$ 1.004, sem que nada na máquina tenha mudado. Por isso a folha usa as horas que o horímetro registrou, nunca as que você esperava. O combustível e o operador entram depois, ao lado da tarifa, e o artigo sobre a conta de diesel contra o horímetro trata do combustível.

Figura: Custo de ter a colhedora por hora em quatro níveis de uso, a partir de R$ 150.650 por ano. Fontes: Conab e ABC
O mesmo custo de ter, dividido por menos horas, custa mais por horaA 150 horas por ano o custo de ter é de R$ 1.004,33 por hora, a 200 horas R$ 753,25, a 300 horas R$ 502,17 e a 450 horas R$ 334,78.Custo de ter, R$ por hora150 horas por anoR$ 1.004,33200 horas por anoR$ 753,25300 horas por anoR$ 502,17450 horas por anoR$ 334,78

Por que a declaração de imposto não dá esse número?

A regra fiscal foi escrita para calcular o imposto, não para medir o desgaste da máquina. No regulamento do imposto de renda, os investimentos são considerados despesas no mês do pagamento, e a lista inclui tratores, implementos e máquinas de uso exclusivo na atividade rural. Se a fazenda deduz a colhedora assim, os R$ 1.150.000 saem da apuração no ano do pagamento e nada sai nos nove anos seguintes, embora ela continue colhendo. O contador diz como a fazenda declara.

Esse é o número certo para a declaração e o errado para a hora. O manual de estatísticas de custo de produção agrícola da FAO separa a depreciação econômica da contábil ou fiscal e diz que os dois métodos dão resultados parecidos apenas por coincidência.

Com o número fiscal na folha, uma colhedora deduzida no primeiro ano não custa nada por hora a partir do segundo. A hora própria parece mais barata do que a tarifa por um motivo errado. O mesmo número baixo, usado para achar o menor preço que a fazenda aceita, deixa esse preço baixo demais. Qual regime a fazenda usa é assunto do contador, e o artigo sobre qual regime tributário a fazenda usa mostra como descobrir. A folha fica com o número da primeira seção.

Figura: O que a dedução no mês do pagamento e a folha lançam contra a colhedora, se a fazenda deduz a compra assim. Fonte: Decreto 9.580, art. 55
O imposto lança a colhedora uma vez; a folha lança todo anoCom a dedução no mês do pagamento, a declaração lança R$ 1.150.000 no ano 1 e R$ 0 nos anos 2 a 10. A folha lança R$ 150.650 todo ano.Lançado contra a colhedora, R$Imposto, ano 1R$ 1.150.000Imposto, anos 2 a 10R$ 0 por anoFolha, todo anoR$ 150.650 por ano

Qual manutenção por hora usar?

As duas fontes brasileiras dão números muito diferentes. A Conab calcula a manutenção da colhedora em 1% do valor do bem novo, dividido pelas 500 horas de uso por ano que resultam de 5.000 horas em 10 anos. A ABC usa 50% do valor inicial, dividido pelas 4.500 horas de vida útil da colhedora.

Calcante e colegas, a partir de bancos de dados de concessionárias e oficinas autorizadas da Itália, estimam a manutenção de uma colhedora autopropelida em 23,1% do preço em 3.000 horas, contra 40,2% no modelo-padrão americano. Na colhedora do caso são R$ 88,55 e R$ 154,10 por hora, e as quatro estimativas vão de R$ 23 a R$ 154.

A manutenção também sobe com a idade. A tabela do Iowa State para a colhedora autopropelida vai de 6% do preço de lista em 1.500 horas a 25% em 3.000. Nas últimas 300 horas a manutenção por hora passa de quatro vezes a das primeiras 1.500. O número que decide a troca é o do ano que vem, não a média dos anos que passaram.

O histórico real está na concessionária. Solicite o histórico da máquina pelo número de série, some as notas de reparo da fazenda e escreva a manutenção por hora de cada ano, um embaixo do outro. A coluna mostra se a curva está subindo e qual número usar no ano que vem.

Figura: Manutenção por hora da colhedora de R$ 1.150.000 em quatro estimativas. Fontes: Conab, ABC e Calcante e colegas (23,1% e 40,2% em 3.000 horas)
Quatro estimativas de manutenção por hora vão de R$ 23 a R$ 154Pela Conab, R$ 23,00 por hora. Pelo modelo italiano de Calcante e colegas, R$ 88,55. Pela ABC, R$ 127,80. Pelo modelo americano, R$ 154,10.Manutenção, R$ por horaConabR$ 23,00Itália (Calcante, 23,1%)R$ 88,55ABCR$ 127,80Modelo americano (40,2%)R$ 154,10

A partir de quantas horas por ano a colhedora vence o serviço contratado?

A tarifa é o preço do trabalho inteiro, então a colhedora da fazenda tem de ser medida do mesmo jeito: custo de ter, manutenção, combustível e operador. A ABC dá R$ 163,60 de combustível e R$ 37,51 de operador por hora, que somam R$ 201,11. Com R$ 450 por hectare e 1,8 hectare por hora, a tarifa sai a R$ 810 por hora.

Hora própria da colhedora contra a tarifa de R$ 810 por hora, conforme as horas trabalhadas no ano e a manutenção usada
Horas trabalhadas no ano Custo de ter por hora Hora própria com a manutenção da Conab Hora própria com a manutenção da ABC
200 horas R$ 753,25 R$ 977,36 R$ 1.082,16
250 horas R$ 602,60 R$ 826,71 R$ 931,51
300 horas R$ 502,17 R$ 726,28 R$ 831,08
350 horas R$ 430,43 R$ 654,54 R$ 759,34
450 horas R$ 334,78 R$ 558,89 R$ 663,69

Acima do equilíbrio a máquina própria custa menos, e abaixo dele custa menos o serviço contratado. A 300 horas por ano, a fazenda do caso fica R$ 83,72 por hora abaixo da tarifa com a manutenção da Conab e R$ 21,08 por hora acima dela com a da ABC. A escolha da tabela desloca o equilíbrio em 56 horas por ano.

Os R$ 450 por hectare são hipotéticos. Consulte o prestador de serviço que você chamaria de fato, escreva a cotação na folha com a data e compare com a sua hora própria. O artigo sobre se esse investimento se paga trata da próxima compra.

Figura: Horas por ano a partir das quais a colhedora própria custa menos do que a tarifa de R$ 810 por hora. Fontes: Conab e ABC; tarifa hipotética
O equilíbrio muda com a tabela de manutençãoCom a manutenção da Conab, o equilíbrio é de 257 horas por ano. Com a da ABC, 313 horas. A fazenda do caso trabalha 300 horas.Horas por ano de equilíbrioManutenção da Conab257 horasManutenção da ABC313 horasUso da fazenda do caso300 horas

Qual máquina entra primeiro na folha, e quanto tempo leva?

A que trabalha menos horas por ano, e o primeiro papel é a nota fiscal de compra, porque o preço, o ano e o número de série abrem a folha. Como a primeira seção mostra, essa máquina carrega o maior custo de ter por hora, então é a mais provável de custar mais do que contratar. A folha leva cerca de três horas, a maior parte esperando o histórico da concessionária.

Figura: Os seis passos da folha da hora da máquina, em ordem
Os seis passos da folhaNota fiscal, anos de uso e revenda, leituras do horímetro, custo de ter dividido pelas horas, manutenção ano a ano e hora própria ao lado da tarifa.A folha de uma máquina1. Nota fiscal: preço, ano, série2. Anos de uso e revenda3. Leituras do horímetro, último ano4. Custo de ter dividido pelas horas5. Manutenção por hora, ano a ano6. Hora própria ao lado da tarifa

Uma folha por máquina faz parte da gestão da fazenda; veja a gestão de fazendas e os artigos de finanças para as perguntas vizinhas.

Procedência

Deriva de
  1. Conab, Norma Metodologia do Custo de Produção 30.302, aprovada pela Resolução Direx 017, 2020
  2. Fundação ABC, Planilha de custos de mecanização agrícola, abril de 2026
  3. Brasil, Decreto 9.580, de 22 de novembro de 2018 (Regulamento do Imposto de Renda), art. 55
  4. FAO, Global Strategy to improve Agricultural and Rural Statistics, Handbook on Agricultural Cost of Production Statistics, 2016, seção 5.5.1
  5. Calcante, Fontanini e Mazzetto, Repair and maintenance costs of 4WD tractors and self propelled combine harvesters in Italy, Journal of Agricultural Engineering XLIV(s2):e70, 2013
  6. Edwards, W., Estimating Farm Machinery Costs, Iowa State University Extension and Outreach, PM 710, revisão de março de 2026
O que este artigo cobre
Calcular a hora de uma máquina numa folha só: quanto custa tê-la por hora nas horas que ela de fato trabalha, por que o imposto e as tabelas publicadas não dão esse número, qual manutenção por hora usar e a partir de quantas horas por ano a colhedora própria custa menos do que a tarifa do serviço contratado.
O que ele não cobre
Qual método de depreciação usar na declaração ou como declarar, qual máquina comprar, o ano exato da troca e como se faz qualquer revisão ou conserto. A escolha fiscal cabe ao contador, e a revisão cabe ao manual do fabricante e à oficina.
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Como citar este artigo

RURIVIA. Custo da hora da máquina: ter a colhedora ou contratar? [S. l.], 27 ago. 2026. Disponível em: https://rurivia.com/pt-br/biblioteca/financeiro/custo-de-manutencao-por-maquina/. Acesso em:


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