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Histórico de preço do boi gordo: anote a oferta do frigorífico

O indicador do Cepea mostra a média do boi gordo. Não mostra o que o seu frigorífico ofereceu a você. Guarde essa oferta numa série de preços semanal ao lado do indicador, com o comprador nomeado e a regra de venda escrita antes da primeira linha.

Publicado em Atualizado em 13 min
Neste artigo

Quando o banco que financia o seu gado ou o frigorífico que compra os seus bois pede o histórico de preços, a resposta fácil é o indicador do Cepea, que responde a outra pergunta. O Indicador do Boi Gordo de 22 de outubro de 2026 ficou em R$ 380,55 por arroba de 15 kg, à vista e sem Funrural. A página não traz um número de Mato Grosso do Sul, e a oferta do seu frigorífico é só mais um ponto longe dessa média. Em 120 bois de 15 arrobas, cada R$ 5,00 por arroba de diferença são R$ 9.000. Anote toda semana a oferta do seu frigorífico ao lado do indicador e entregue esse histórico a quem financia ou compra.

A série de preços é uma tabela, em papel ou em planilha, uma por categoria de gado, como boi gordo, com uma linha por semana. No alto ficam o frigorífico e o indicador. Cada linha traz o indicador, a oferta do frigorífico e a diferença entre os dois, que este artigo chama de base. Logo abaixo do alto vem a regra de venda, escrita antes da primeira linha, como “vender um quarto dos bois quando a oferta ficar a menos de R$ 5,00 por arroba abaixo do indicador”.

O indicador do Cepea responde ao que o banco pergunta?

Só em parte. O Cepea define o indicador como o valor à vista por arroba de 15 kg, sem Funrural, o chamado preço livre. Quem vende a prazo olha outro número. A média a prazo do Estado de São Paulo, em 22 de outubro de 2026, foi R$ 384,80 por arroba, calculada da amostra do indicador e da taxa CDI de 30 dias. São R$ 4,25 por arroba acima do valor à vista.

A página não traz um número de Mato Grosso do Sul. O frigorífico que compra os seus bois faz a oferta com as condições dele, de prazo de pagamento, Funrural e frete, e nenhum indicador a registra.

Figura: O que a página do Indicador do Boi Gordo mostra em 22 de outubro de 2026, em reais por arroba de 15 kg. Fonte: Cepea
O indicador mostra duas médias, e a oferta do seu frigorífico não está nelasIndicador do Boi Gordo em 22 de outubro de 2026: à vista, sem Funrural, R$ 380,55 por arroba. Média a prazo do Estado de São Paulo: R$ 384,80 por arroba. A oferta do seu frigorífico não está na página.Indicador do Boi Gordo, 22/10/2026À vista, sem FunruralR$ 380,55 por arrobaMédia a prazo, Estado de São PauloR$ 384,80 por arrobaOferta do seu frigoríficoNão está na página

A diferença para o indicador fica igual de uma semana para outra?

Não. Em Itapetinga (BA), de 2012 a 2015, a oscilação típica do preço do boi gordo foi de R$ 12,77 por arroba, e a da base, de R$ 7,87 por arroba. A base oscilou cerca de 62% do que oscilou o preço (R$ 7,87 dividido por R$ 12,77). Os autores leem esse resultado como uma base bem mais previsível que o preço. Mesmo assim, ela não ficou parada.

A base desses autores é o preço à vista menos o preço na bolsa de futuros. A base deste artigo é a oferta do frigorífico menos o indicador. Leia os estudos como indicação do sentido do movimento, não do tamanho.

No boi gordo, de 1995 a 2001, o hedge, a venda na bolsa de futuros para garantir o preço, tirou de 42% a 52% do risco de preço em oito praças. Cerca de metade do risco ficou na base, a parte que a bolsa não cobre.

Figura: Oscilação típica do preço do boi gordo e da base em Itapetinga (BA), de 2012 a 2015, em reais por arroba. Fonte: Silva e Faria (2016)
A base oscilou menos que o preço, mas oscilouEm Itapetinga, na Bahia, de 2012 a 2015, a oscilação típica do preço do boi gordo foi de R$ 12,77 por arroba e a da base foi de R$ 7,87 por arroba, cerca de 62% da do preço.Preço do boi gordo: R$ 12,77Base: R$ 7,87R$ 0R$ 12,77

Quando o indicador sobe R$ 10,00 numa semana e a oferta do frigorífico sobe só R$ 5,00, você vê a diferença crescer na linha daquela semana. O que o indicador não cobre fica nessa diferença, e só uma linha por semana mostra o tamanho dela.

O que entra em cada linha da série?

Uma linha por semana, com a oferta do frigorífico no centro e o indicador ao lado. No alto, escreva a categoria de gado, o frigorífico, as condições de entrega e o indicador do Cepea, com o endereço na internet em que você o lê. Escreva também o dia da semana em que vai pedir a oferta e quantos anos anteriores entram na média.

As colunas da série de preços e o que entra em cada uma
Coluna O que entra nela
Data O dia do calendário, com o ano
Hora A hora em que você recebeu a oferta, não a hora em que anotou
Lote Sexo, peso e acabamento do gado que você de fato venderia, nas palavras do frigorífico
Indicador O valor do Cepea desse dia, em reais por arroba
Oferta do frigorífico O que o frigorífico nomeado no alto ofereceu naquele dia, perguntado a ele, em reais por arroba
Base Oferta menos indicador, escrita como valor e a palavra “abaixo” ou “acima” do indicador
Condições Prazo de pagamento, Funrural e frete, nas palavras do frigorífico

Os dois preços precisam estar na mesma unidade antes de você subtrair. O indicador é à vista e sem Funrural. Se a oferta vem a prazo ou com o Funrural descontado, escreva isso na coluna das condições, porque parte da base vem daí. Uma oferta de R$ 5.637 por boi de 15 arrobas é R$ 375,80 por arroba: R$ 5.637 dividido por 15. Escreva essa conta na linha.

Leia o indicador e pergunte a oferta ao frigorífico no mesmo dia da semana, na mesma hora. Quando faltar um dos dois, deixe a linha em branco, e nunca junte a oferta com o indicador de outro dia. No estudo de Itapetinga, os autores fizeram o mesmo e descartaram 33 dias em que só um dos dois preços existia. O valor que entrou por uma carga, depois dos descontos do acerto do frigorífico, é outro número. Anote-o numa planilha à parte, dos pagamentos recebidos, e nunca na coluna da oferta.

Figura: A mesma linha como ela entra na série. A oferta e o lote são inventados para o exemplo
Uma linha da série de preçosQuinta-feira, 22 de outubro de 2026. Lote: 120 bois de 15 arrobas. Indicador R$ 380,55 por arroba. Oferta do frigorífico R$ 375,80 por arroba. Base: R$ 4,75 por arroba abaixo do indicador. Em 1.800 arrobas, R$ 8.550.Uma linha da sérieDiaQuinta-feira, 22 de outubro de 2026Lote120 bois de 15 arrobasIndicador e oferta do frigoríficoR$ 380,55 e R$ 375,80 por @BaseR$ 4,75 por arroba abaixoEm 1.800 arrobasR$ 8.550

O que fazer com a série depois de alguns anos?

Para cada mês do ano, escreva a base média, a mais alta e a mais baixa. A média é a base esperada de que você precisa para decidir uma venda a termo ou segurar o gado. A mais alta e a mais baixa mostram quanto um mês pode se afastar dela. Quantos anos entram na média é decisão sua, escrita no alto da série.

Um estudo do boi gordo em Goiás mostra como fica esse quadro depois de quase onze anos. De janeiro de 1997 a outubro de 2007, a base média de cada mês ficou entre R$ 2,49 (novembro) e R$ 3,71 (fevereiro) por arroba abaixo da bolsa. De 1997 a 2002, ela ficou entre R$ 1 e R$ 4 abaixo, salvo em 1999, quando passou de R$ 4 por mais de seis meses, e se espalhou mais de 2003 a 2007.

O preço usado foi a média do estado, e não o de um comprador, e mesmo assim a base mudou de comportamento no meio da série. Use os anos que tiver e reveja o número a cada ano. Com doze linhas semanais dá para comparar esta semana com as onze anteriores, mas ainda não dá para dizer o que é normal para a época.

Figura: A base do boi gordo em Goiás, em reais por arroba abaixo da bolsa. Fonte: Oliveira Neto, Machado e Figueiredo (2009)
Em Goiás, a base mudou de comportamento no meio da sérieDe janeiro de 1997 a outubro de 2007, a base média de cada mês ficou entre R$ 2,49 (novembro) e R$ 3,71 (fevereiro) por arroba abaixo da bolsa. De 1997 a 2002 ficou entre R$ 1 e R$ 4 abaixo, salvo em 1999, quando passou de R$ 4 por mais de seis meses. De 2003 a 2007 se espalhou mais. Na sua série, escreva o número de anos no alto e reveja-o a cada ano.Jan/1997 a out/2007, média por mêsNovembro: R$ 2,49 abaixo da bolsaFevereiro: R$ 3,71 abaixo da bolsaDe 1997 a 2002Entre R$ 1 e R$ 4 abaixo, salvo 1999,com mais de R$ 4 por mais de seis mesesNa sua sérieEscreva o número de anos no altoe reveja-o a cada ano

Escreva a regra de venda antes da primeira linha, porque uma regra escrita depois que os preços entraram pode acabar escrita para caber neles, em geral para o lado de esperar mais um pouco. Escreva qual oferta ou qual base leva a qual decisão, por exemplo “quando a oferta ficar a menos de R$ 5,00 por arroba abaixo do indicador, vender um quarto dos bois”. Depois de alguns anos você pode amarrar a regra à média daquele mês. Ao lado, escreva o nome de quem pode tomar essa decisão sem ligar para ninguém. O piso de qualquer oferta que você aceite é o menor preço aceitável, calculado a partir dos custos da própria fazenda.

Por onde começar

Vinte minutos para fazer a série, dez minutos por semana para mantê-la. Os outros artigos sobre venda estão na biblioteca de comercialização.

Figura: A série de preços em seis passos, da primeira linha ao fim do ano
Os seis passos da série de preçosAntes da primeira linha: nomear o frigorífico e o indicador, escrever o dia da semana e os anos, traçar as colunas, escrever a regra de venda. Toda semana: preencher uma linha. No fim do ano: escrever a base média de cada mês.Antes da primeira linha1. Nomeie o frigorífico e o indicador2. Escreva o dia da semana e os anos3. Trace as colunas4. Escreva a regra de vendaToda semana5. Preencha uma linha por semanaNo fim do ano6. Escreva a base média de cada mês

A coluna da base serve a três decisões de venda, cada uma com artigo próprio. Antes de aceitar uma oferta a termo, compare a base embutida nela com a base que você espera na entrega, conta feita em travar o preço agora compensa. Antes de fazer hedge, some a base esperada ao preço futuro que você travaria; uma oferta abaixo do indicador reduz a soma, e o resultado é o preço que sobra depois do hedge. Antes de segurar o gado para vender depois, compare a base de hoje com a de costume nos meses seguintes, como em vale a pena esperar para vender.

As três partem da base do seu frigorífico, e não do preço na tela. Qualquer pessoa acha o indicador do ano passado. A base da oferta que o seu frigorífico fez nesta semana só existe se alguém da fazenda a anotou. São dez minutos por semana de gestão de fazendas, e você usa o resultado em toda venda.

Procedência

Deriva de
  1. Cepea/Esalq/USP, Indicador do Boi Gordo, página do indicador (o endereço mostra o valor do dia; os números do texto são de 22/10/2026)
  2. Silva e Faria, Estatística como ferramenta para mitigar o risco de preço sobre o hedge de boi gordo, Revista iPecege 2(1), 2016, 40-56
  3. Silveira e Ferreira Filho, Analisys of feeder cattle cross hedge and live cattle hedge at BM&F futures market, Revista de Economia e Sociologia Rural 41(4), 2003, 1057-1075
  4. Oliveira Neto, Machado e Figueiredo, Comportamento da base e análise do risco de base na comercialização do boi gordo no Estado de Goiás, Brasil, Pesquisa Agropecuária Tropical 39(3), 2009, 207-217
O que este artigo cobre
Manter uma série de preços semanal de uma categoria de gado com a oferta do frigorífico ao lado do indicador do Cepea: o frigorífico e o indicador escritos no alto, as colunas de cada linha, a conversão dos dois preços para a mesma unidade, a linha em branco quando falta um deles, o que a série dá depois de alguns anos e a regra de venda escrita antes da primeira linha.
O que ele não cobre
Fica de fora a previsão do preço do boi gordo, a escolha do vencimento na bolsa e a decisão de quando vender, que é de quem lê. Fazer hedge, travar preço a termo e segurar o gado para vender depois estão em outros artigos. O artigo não separa a diferença entre a oferta e o indicador em frete, quebra de peso e margem do frigorífico, porque os estudos citados aqui não medem essa divisão.
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Como citar este artigo

RURIVIA. Histórico de preço do boi gordo: anote a oferta do frigorífico. [S. l.], 27 ago. 2026. Disponível em: https://rurivia.com/pt-br/biblioteca/comercializacao/serie-de-precos-anotada/. Acesso em:


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