O custo total por hectare, dividido pela produtividade que você espera, é o menor preço em que a lavoura não dá prejuízo: o preço de equilíbrio. Um estudo de caso em Nova Veneza, no sul de Santa Catarina, acompanhou uma propriedade de 140 hectares de arroz irrigado. A saca de 50 quilos foi vendida a R$ 99,50 em 2023/24 e a R$ 88,50 em 2024/25. A produção subiu, mas o ponto de equilíbrio foi de 13.464 para 18.538 sacas. Quem planejou com R$ 99,50 na mão achou R$ 271.920 a menos. Escreva dois equilíbrios com data: todo o custo antes de plantar, só o que falta gastar antes de colher.
O que o ponto de equilíbrio mostra, e o que ele divide?
Duas divisões dão duas respostas. O custo total dividido pelo preço que você espera é a quantidade de equilíbrio, o quanto você precisa vender para cobrir todo o custo. O custo total dividido pela produtividade é o preço de equilíbrio, o menor preço que o cobre. A extensão rural da Colorado State University descreve os dois do mesmo modo: um acha o volume necessário a um preço dado, o outro o preço necessário a uma produção dada.
Na propriedade de Nova Veneza, no estudo de Vitali e colegas, a safra 2024/25 teve R$ 1.065.693 de custo e despesa variáveis e R$ 841.420 de custo e despesa fixos. O total, R$ 1.907.113, dividido pelas 24.720 sacas, dá R$ 77,15 por saca (cálculo da Rurivia). O preço de venda foi de R$ 88,50.
Divida o seu custo pela sua produtividade hoje e escreva o resultado ao lado da data.
Quais custos entram na conta?
Depende do que você decide. Custo fixo não muda com a quantidade produzida; a ficha da Colorado State lista depreciação de equipamento, juros, impostos e despesa geral. Custo variável acompanha a produção, como mão de obra, energia e combustível.
No estudo, o custo fixo de 2024/25 somou R$ 751.555, e a mão de obra familiar pesou 40,6% dele. O arrendamento é fixo em parte: são 50 sacas por hectare, que não variam com a colheita. Há então dois pisos para o mesmo arroz: R$ 43,11 por saca só sobre o variável e R$ 77,15 sobre o total. A terra entra no total: arrendada, pelo arrendamento; própria, pelo arrendamento que ela renderia. Isso é uma recomendação.
Um preço entre os dois cobre o custo variável e parte do fixo, mas não todo.
O custo por saca quase não mudou de uma safra para a outra, de R$ 76,78 para R$ 77,15. O que mudou foi o preço, e a sobra caiu de R$ 22,72 para R$ 11,35.
Marque cada linha do seu custo como fixa ou variável e divida cada total pela produtividade.
O ponto de equilíbrio muda com a data?
Muda, porque dinheiro já gasto não se recupera. Antes de plantar todo o custo está à frente, e o equilíbrio sobre o custo total decide o que plantar. Com a lavoura no talhão, a extensão da Texas A&M, nos Estados Unidos, trata o custo de plantar e de cultivar como afundado na hora de colher. Deixa de fora da decisão a depreciação e os juros do financiamento da colhedora. Só conta o desembolso para colher. O estudo é de algodão, e o estudo de Nova Veneza não traz decisão de colheita; a regra vale para qualquer lavoura.
Suponha que, antes da colheita, o preço do arroz caia para R$ 50 a saca. O preço de equilíbrio de R$ 77,15 sugere prejuízo. Mas o que ainda falta gastar para colher é pouco, e a venda ajuda a pagar o que já saiu do caixa.
O seu tempo não está nesse custo, e uma lavoura de pouca produtividade pode levar desconto de qualidade no preço. Escreva os dois antes de decidir.
A que distância do equilíbrio está a venda?
Compare a produção com a quantidade de equilíbrio. O OpenStax, um livro-texto aberto de contabilidade, chama de margem de segurança a diferença entre as vendas e o ponto de equilíbrio, e diz que, quanto maior ela é, menor o risco de prejuízo. Dividida pela produção, ela vira percentual.
Em Nova Veneza, a margem de segurança foi de 9.436 sacas em 2023/24, 41,21% da produção, e de 6.182 em 2024/25, 25,01%. A produção subiu de 22.900 para 24.720 sacas, e o equilíbrio subiu mais, 37,69%, de 13.464 para 18.538. Se o preço tivesse ficado em R$ 99,50, o equilíbrio de 2024/25 seria de cerca de 14.921 sacas (cálculo da Rurivia). O preço explica cerca de 3.600 das 5.074 sacas a mais, e os custos fixos o resto.
É uma propriedade só, em duas safras. Serve para mostrar a conta, não para dar o equilíbrio do arroz de outra fazenda.
Escreva a margem de segurança sob os dois equilíbrios, com a data e quem decidiu.
Por onde começar
Antes desta planilha vem o preço de equilíbrio que você dá ao comprador; para saber quanto de ano ruim a fazenda aguenta, veja quanto de ano ruim o ciclo aguenta. A calculadora de ponto de equilíbrio faz as divisões.
A mesma planilha, datada, serve para qualquer outra atividade da gestão de fazendas.