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Perda na colheita da soja: escreva o limite antes de colher

Os limites publicados de perda na colheita da soja diferem entre si. Um limite escrito antes da colheita, conferido por uma contagem em cada talhão, mostra qual talhão passou e que parte da máquina perdeu o grão.

Publicado em Atualizado em 11 min
Neste artigo

Um produtor rural de soja em Uruçuí (PI) que deixa 2,2 sacas por hectare atrás da colhedora, com limite escrito de 1 saca, perde R$ 216.000 em 1.500 hectares (exemplo: R$ 120 por saca). Escreva a perda que você aceita antes de a colheita começar. Depois meça a perda atrás da colhedora, talhão por talhão, e marque cada talhão que passou do limite.

Perda de colheita, aqui, é o grão que fica no chão em vez de ir para a caçamba: o que a plataforma não recolheu e o que a máquina jogou para trás. Sem um limite escrito, um acha a perda normal, outro acha demais, e a discussão não fecha.

Quanto grão deixado atrás da colhedora é demais?

A Embrapa fixa a perda tolerável da soja em 60 kg por hectare, o que é 1 saca de 60 kg. Um trabalho de 2013 na Revista Ceres cita um número anterior da Embrapa, de 45 kg por hectare, ou 0,75 saca. Numa palestra da Aapresid, a associação argentina de plantio direto, a tolerância é de 4% da produtividade, com teto de 105 kg por hectare acima de 2.500 kg por hectare, cerca de 1,75 saca.

Cada número vem de um país, de uma época e de um conjunto de máquinas, e nenhum foi fixado para a sua lavoura. No primeiro ano, escreva um deles como limite e coloque a data. Nos seguintes, revise o limite com as suas próprias medições, sempre antes da colheita.

Figura: Limites publicados de perda na colheita da soja, em sacas de 60 kg por hectare, e a perda medida no talhão do exemplo. Fonte: Embrapa, Revista Ceres e Aapresid; conversão para sacas calculada
Os três limites publicados ficam abaixo da perda medida no talhão do exemploEm sacas por hectare: Embrapa antes de 2013, 0,75; Embrapa em 2013, 1,0; Aapresid, 1,75. A perda medida no talhão do exemplo é 2,2.Perda em sacas por hectareEmbrapa antes de 2013, 45 kg0,75Embrapa em 2013, 60 kg1,0Aapresid, teto de 105 kg1,75Talhão do exemplo, medido2,2

Como medir a perda em um talhão?

Com uma armação de 2 m² e o copo medidor da Embrapa, um copo transparente com escala em sacas por hectare. A armação é feita de cano de PVC ou ripas e barbante, e o comprimento dela depende da plataforma: 2 dividido pela largura da plataforma, em metros. Numa plataforma de 9,1 m, são 22 cm.

Jogue a armação atrás da colhedora, junte os grãos e as vagens de dentro, debulhe as vagens, coloque os grãos no copo e leia a escala. A Embrapa pede a medição em pelo menos cinco pontos da lavoura, porque uma leitura só não descreve o talhão.

A hora também conta. Num estudo de uma colheita de soja, a perda total chegou a 387,3 kg por hectare às 21 h, cerca de 6,5 sacas, e subiu 121% entre o primeiro e o último dia. Escreva a data e a hora de cada leitura.

Figura: Leituras do copo medidor em cinco pontos de um talhão do exemplo, contra o limite de 1,0 saca por hectare. Fonte: leituras de exemplo; limite da Embrapa
As cinco leituras ficam todas acima do limite de 1,0 saca por hectareSacas por hectare lidas no copo medidor em cinco pontos: 2,0; 2,4; 2,2; 2,1 e 2,3. O limite é 1,0. A média é 2,2.Sacas por hectare, por ponto2,02,42,22,12,3Ponto 1Ponto 2Ponto 3Ponto 4Ponto 5Linha tracejada: limite de 1,0 sacaMédia das cinco leituras: 2,2 sacas

A plataforma ou a máquina perdeu o grão?

O total do talhão não diz que parte da colhedora perdeu o grão. A plataforma de corte recolhe as plantas e deixa grão no chão à frente da máquina. Os mecanismos internos, que debulham, separam e limpam, jogam grão para trás.

O método da Embrapa já faz a separação. Depois da medição atrás da colhedora, o operador para a máquina, desliga os sistemas, recua uns 4 a 5 metros e mede de novo no trecho que a plataforma cortou. A perda dos mecanismos internos é a perda total menos a da plataforma.

No talhão do exemplo, a medição no trecho recuado deu 1,4 saca por hectare, contra 2,2 da perda total. Sobram 0,8 saca nos mecanismos internos. A plataforma, ou o que caiu antes dela, responde por 64% da perda.

Numa palestra na Argentina, a plataforma respondeu por 70% a 80% da perda da soja num ano normal. Em Maripá, no Paraná, o levantamento cita trabalhos que dão 80% a 85%. O talhão do exemplo fica abaixo das duas faixas, e isso manda o operador e o agrônomo olharem dentro da máquina.

Figura: De onde saíram as 2,2 sacas por hectare perdidas no talhão do exemplo, contra o limite de 1,0. Fonte: leituras de exemplo; separação pelo método da Embrapa
Das 2,2 sacas por hectare perdidas, 1,4 saíram na plataforma ou antes dela e 0,8 nos mecanismos internosA perda total medida atrás da colhedora é 2,2 sacas por hectare. A medição no trecho recuado deu 1,4, então os mecanismos internos perderam 0,8. O limite é 1,0.Perda medida atrás da colhedora2,2limite 1,0Plataforma ou antes dela: 1,4Mecanismos internos: 0,82,2 menos 1,4 dá 0,8 saca por hectare

A perda acima do limite é exceção ou regra?

Depende da região e da máquina, e só a medição diz. Em Maripá, um levantamento de 39 colhedoras em 25 propriedades achou que 79% perderam mais de 60 kg por hectare, com média de 98,5 kg, cerca de 1,6 saca.

No Médio-Norte de Mato Grosso, um levantamento de 16 colhedoras achou 69% dentro desse nível. Os autores ligam as máquinas acima dele à manutenção precária.

Cada levantamento é de uma região e de poucas safras. Servem de razão para medir os seus talhões, não de número para copiar.

Figura: Parcela das colhedoras com perda de até 60 kg por hectare em dois levantamentos. Fonte: Schanoski e colegas; Zandonadi e colegas; a parcela de Maripá é 100 menos 79
Dois levantamentos, dois resultados opostos para a mesma tolerânciaEm Maripá, no Paraná, 21% de 39 colhedoras ficaram em até 60 kg por hectare. No Médio-Norte de Mato Grosso, 69% de 16 colhedoras ficaram.Colhedoras com até 60 kg por hectareMaripá, Paraná: 39 colhedoras21%Médio-Norte, Mato Grosso: 1669%Barras numa escala de 0 a 100%

O que vai na ficha de registro antes do primeiro talhão?

Uma ficha da colheita, com uma linha por talhão. O limite e a data entram antes de a colhedora começar; as medições entram em cada talhão.

A ficha de registro da colheita, coluna a coluna
Coluna O que contém O que dá errado sem ela
Talhão O nome ou o número de um talhão Dois talhões se misturam, e o ruim se esconde na média
Limite e data A perda aceita, em sacas por hectare, com a data e o nome de quem definiu Um limite escrito depois do resultado desculpa qualquer número
Perda medida A média de pelo menos cinco leituras, em sacas por hectare, com data e hora “Pareceu bom” fica no lugar de um número
De onde veio Plataforma de corte ou antes dela, ou mecanismos internos Um talhão acima do limite sem pista de onde olhar
Acima ou abaixo Uma marca em cada talhão acima do limite Todo talhão parece igual
Figura: Uma linha da ficha de registro, preenchida com o talhão do exemplo. Fonte: valores de exemplo deste artigo
Uma linha preenchida da ficha de registroLimite de 1,0 saca por hectare, escrito antes da colheita. Perda medida de 2,2 sacas por hectare, em cinco leituras com data e hora. De onde veio: 1,4 na plataforma ou antes dela e 0,8 nos mecanismos internos. Marca: acima do limite em 1,2 saca por hectare.Talhão do exemplo, sojaLimite, escrito antes da colheita1,0 saca por hectarePerda medida2,2 sacas por hectaremédia de cinco leituras, com data e horaDe onde veio1,4 na plataforma ou antes dela0,8 nos mecanismos internosMarcaAcima do limite em 1,2 saca por hectareGuardada com os papéis da colheita

Um talhão acima do limite dá a você um lugar para olhar: aquele talhão, aquela passada, aquela parte da máquina. Na safra seguinte, você examina os um ou dois talhões marcados em vez de discutir a colheita inteira.

Regular a colhedora e reduzir a perda ficam com o produtor rural e o agrônomo; outro artigo trata do que o agrônomo decide. Se você já acompanha a produtividade de cada talhão, ano a ano, a perda medida entra ao lado dela, porque explica parte de um ano fraco.

Medir contra um limite escrito antes faz parte da gestão de fazendas. Na seção de produção da biblioteca estão os outros registros de talhão que andam junto com este.

Procedência

Deriva de
  1. Silveira, J. M.; Conte, O. Determinação de perdas na colheita de soja: copo medidor da Embrapa. Embrapa Soja, 2013
  2. Schanoski, Righi e Werner, Perdas na colheita mecanizada de soja (Glycine max) no município de Maripá, PR, Revista Brasileira de Engenharia Agrícola e Ambiental 15(11), 2011
  3. Zandonadi, Ruffato e Figueiredo, Perdas na colheita mecanizada de soja na região Médio-Norte de Mato Grosso: safra 2012/2013, Nativa 3(1), 64-66, 2015
  4. Holtz e Reis, Perdas na colheita mecanizada de soja: uma análise quantitativa e qualitativa, Revista Ceres 60(3), 2013
  5. Marrón, G. Evaluación de pérdidas de cosecha en soja. Taller de máquinas cosechadoras, Aapresid, regional Del Campillo, 2010
O que este artigo cobre
Escrever a perda de colheita da soja que você aceita antes de a colheita começar, com data e o nome de quem definiu; medir a perda de cada talhão com uma armação atrás da colhedora; separar a perda entre a plataforma de corte e os mecanismos internos; e marcar os talhões que passaram do limite.
O que ele não cobre
Como regular a colhedora, escolher a plataforma ou reduzir a perda, que é trabalho do produtor rural e do agrônomo. Não entrega o seu limite final de perda: os limites publicados divergem entre países e culturas, e o primeiro que você escreve é só um ponto de partida.
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Como citar este artigo

RURIVIA. Perda na colheita da soja: escreva o limite antes de colher. [S. l.], 11 set. 2026. Disponível em: https://rurivia.com/pt-br/biblioteca/producao/o-limite-de-perda-na-colheita/. Acesso em:


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