A folha de contratação reúne os requisitos de um cargo, as perguntas que todo candidato responde e uma prova prática (você vê o candidato fazer uma parte do serviço), com uma pontuação para cada. Você a escreve antes de a vaga abrir e a preenche do mesmo jeito para todos. Vale uma tarde. Na fazenda de exemplo, um operador que aplica errado o fungicida em 600 hectares de soja obriga a repetir a aplicação, a R$ 90 por hectare, e o erro custa R$ 54.000 (valores de exemplo). Escreva a folha antes de o primeiro candidato aparecer e some a pontuação antes de alguém dizer de quem gostou.
Uma boa conversa basta para escolher a pessoa certa?
Não. Uma revisão de 2022 sobre estudos de contratação avaliou cada jeito de escolher numa escala de 0 a 1. Zero quer dizer que o método não é melhor que sortear nomes de um chapéu, e 1 quer dizer que ele prevê com perfeição como as pessoas vão trabalhar depois. A Tabela 3 da revisão ordena os métodos nesta ordem.
As mesmas perguntas fixas para todos os candidatos, com cada resposta pontuada, ficaram em primeiro, com 0,42. A prova prática, em que você vê o candidato fazer parte do serviço, marcou 0,33. A conversa aberta, sem perguntas fixas, marcou 0,19, e os anos de experiência marcaram 0,07.
Leia a ordem, não os decimais. A revisão não separa o trabalho rural, e 53 dos 54 estudos de prova prática mediram gente que já tinha o emprego, então o 0,33 é menos firme para um desconhecido na porteira.
Experiência também é fácil de alegar. Um candidato a peão respondia a toda pergunta com “vem junto com o serviço”; um colega o viu tentar encilhar um cavalo e perguntou se ele nunca tinha montado. Converse com o candidato para conhecer a pessoa, e deixe a pontuação por conta das perguntas e da prova.
O que entra nas duas colunas de requisitos?
A primeira coluna guarda o que elimina o candidato, e a segunda guarda o que só ajuda a classificar os que sobraram. No exemplo, um produtor rural de Primavera do Leste, em Mato Grosso, abre em agosto de 2027 a vaga de operador de pulverizador autopropelido para a safra de soja 2027/28. O pulverizador autopropelido é a máquina com motor próprio que aplica defensivo na lavoura.
Os anos de experiência vão, no máximo, para a coluna que classifica, pelo motivo da revisão: marcaram 0,07. O que o candidato precisa fazer na sua frente vai para a primeira coluna, porque experiência se alega com facilidade e uma tarefa feita na sua frente não. Billikopf, especialista em trabalho rural da Universidade da Califórnia, também recomenda dar a cada requisito um peso conforme a importância dele para o serviço. Duas colunas são o jeito mais simples de fazer isso; a divisão é uma escolha prática, não um número que algum estudo mediu.
Copie os requisitos da descrição escrita do cargo, a página com o que a pessoa de cada cargo faz e o que o serviço exige. Se o cargo ainda não tem uma, escreva-a primeiro.
Que perguntas e que prova prática escrever, e como pontuar?
Escreva de três a cinco perguntas tiradas dos requisitos, faça-as a todo candidato na mesma ordem e escreva ao lado de cada uma como é uma resposta boa. De três a cinco é um tamanho prático, não um número que algum estudo mediu. O guia de Billikopf traz uma pergunta-modelo para uma vaga de leite. Meia hora antes de o veterinário chegar, um ordenhador faltou, ninguém pode cobrir o turno e o resfriamento do tanque de leite está falhando: o que você faz?
A prova prática é igual para todos. Escreva o que você vai ver, por quanto tempo e a pontuação mínima para passar. Uma fazenda de leite do guia organizou três estações: carregar silagem com uma pá carregadeira, dar ré com um vagão misturador num percurso marcado e levar três vacas por uma sequência de cercas. Testou tudo antes com empregados e familiares, para combinar como pontuar cada nível.
Dê a cada resposta e a cada parte da prova uma pontuação de 0 a 3. A escala de Billikopf é esta: 0 não consegue fazer a tarefa, 1 provavelmente não consegue, 2 faria com algum treinamento, 3 faz corretamente agora mesmo. Escreva cada pontuação na hora. Depois some tudo antes de dizer quem você prefere. Uma meta-análise achou perda consistente e grande de validade quando os dados eram combinados no olhômetro, mesmo por especialistas que conhecem os cargos, comparada com a soma por uma regra fixa.
A indicação de alguém de confiança dispensa a folha de contratação?
Não, e muita vaga de fazenda se preenche por indicação. Num levantamento do Imea e do Senar-MT de 2024, 84,18% dos produtores rurais de Mato Grosso procuravam mão de obra qualificada por indicação, 11,99% pelo sindicato rural e 1,28% pelo Sine. Cada produtor rural podia marcar mais de uma opção, e por isso a soma passa de 100%.
A indicação é um bom jeito de achar candidato. Stephen Burks e três colegas estudaram nove empresas grandes de atendimento por telefone, transporte de carga e tecnologia. O indicado tinha de 10% a 30% menos chance de pedir as contas, e o caminhoneiro indicado, 12% menos chance de um acidente evitável. Essas empresas são de fora da agropecuária, então vale a direção, não a porcentagem.
O mesmo estudo viu que quem indica tende a indicar gente parecida consigo, até no comportamento, e o empregado que trabalha sem cuidado indica outro igual. O bom indicado não perde nada passando pelas mesmas perguntas e pela mesma prova, e a prova mostra o indicado que não rende. Escreva na folha o nome de quem indicou cada candidato. A indicação do seu melhor tratorista passa a valer mais que a do empregado que você não contrataria de novo.
O que escrever primeiro, e em que ordem?
Comece pelos requisitos, porque as perguntas e a prova saem deles. Os passos 1 a 3 se escrevem antes de a vaga abrir, os passos 4 e 5 se preenchem conforme os candidatos aparecem, e o passo 6 vem depois da contratação.
Com a pontuação no papel, a contratação errada deixa de parecer azar, porque você vê qual linha errou. O período de experiência protege pouco: Billikopf observa que quem é só quase bom para o serviço muitas vezes acaba ficando. Para calcular quanto cada saída custa à sua fazenda, veja quanto a rotatividade custa na fazenda. Quando a pessoa disser sim, o passo seguinte é a lista do primeiro dia. A vaga abre de novo toda vez que alguém sai. Contratar é uma das decisões de gestão de fazendas que se repetem, então a folha volta a ser usada e melhora a cada contratação.